Artemis II: o que sabemos sobre a missão que vai levar astronautas de volta ao redor da Lua em 2026
Primeiro voo tripulado do programa Artemis, a missão Artemis II foi reagendada para março de 2026 após vazamento no foguete SLS.

A NASA anunciou o novo cronograma da missão Artemis II, que marcará o retorno de astronautas ao entorno da Lua mais de 50 anos após o fim do programa Apollo. Inicialmente prevista para fevereiro, a decolagem foi adiada após problemas técnicos e condições climáticas adversas na Flórida.
A janela de lançamento agora será aberta em 6 de março de 2026, com oportunidades adicionais nos dias 7, 8, 9 e 11 do mesmo mês. Caso necessário, novas datas estarão disponíveis em abril, nos dias 1, 3, 4, 5, 6 e 30.
Segundo a agência espacial norte-americana, a decisão foi motivada por ventos fortes na região do Centro Espacial Kennedy e por um vazamento de hidrogênio líquido identificado no foguete durante os preparativos finais.
Testes e correções antes da decolagem
O problema no hidrogênio líquido foi detectado no Space Launch System (SLS), foguete que levará a cápsula Orion ao redor da Lua. O vazamento foi solucionado durante um ensaio geral de abastecimento com propelente criogênico realizado nesta semana.
O ensaio, considerado uma etapa crucial do cronograma, simulou o abastecimento completo do foguete para identificar eventuais falhas antes do lançamento oficial.
Tripulação e objetivos da missão
A Artemis II será o primeiro voo tripulado do novo programa lunar e terá duração aproximada de dez dias. A missão não prevê pouso na superfície lunar, mas realizará um sobrevoo ao redor do satélite natural da Terra para testar sistemas em ambiente de espaço profundo.

A tripulação será composta por quatro astronautas: Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da NASA, além de Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense. Eles serão os primeiros humanos a viajar tão longe desde as últimas missões Apollo, encerradas na década de 1970.
Entre os principais objetivos estão a validação dos sistemas de suporte à vida — responsáveis pela geração de oxigênio, remoção de dióxido de carbono e controle ambiental — e a realização de manobras manuais da espaçonave, fundamentais para futuras operações em órbita lunar.
Quarentena e segurança como prioridade
Com o adiamento, os astronautas foram liberados da quarentena iniciada em Houston no fim de janeiro. O protocolo, chamado de programa de estabilização da saúde, costuma começar cerca de 14 dias antes do lançamento para evitar que qualquer problema médico comprometa a missão.
Eles deverão retornar ao isolamento no final de fevereiro, caso o cronograma de março seja mantido. A ida ao Centro Espacial Kennedy ocorrerá poucos dias antes da decolagem.
Em nota oficial, a NASA reforçou que, apesar das mudanças no calendário, a segurança da tripulação permanece como prioridade absoluta. A agência destacou que cada etapa do programa Artemis segue uma abordagem progressiva: testar capacidades em órbita lunar antes de avançar para o pouso tripulado, previsto para a missão Artemis III.
Por que não haverá pouso na Lua?
A Artemis II foi planejada exclusivamente como missão de testes. A cápsula Orion não possui módulo de pouso lunar acoplado, o que impossibilita a descida à superfície nesta etapa do programa.
De acordo com a equipe técnica da NASA, o objetivo é reduzir riscos, validando sistemas e procedimentos gradualmente. O pouso está reservado para a Artemis III, que deverá levar astronautas novamente ao solo lunar.
O nome do programa faz referência a Ártemis, deusa da Lua na mitologia grega e irmã gêmea de Apolo — uma alusão direta ao programa Apollo, responsável por levar o homem à Lua no século passado. Agora, a nova fase da exploração lunar pretende estabelecer as bases para missões mais longas e, futuramente, para a exploração de Marte.
Referências da notícia
CNN Brasil. Missão Artemis II da Nasa: quais as novas datas para lançamento do foguete. 2026