NASA divulga informações sobre planeta igual a Terra em zona habitável de estrela
Essa semana, a NASA divulgou informações sobre o planeta HD 137010 b que tem tamanho e propriedades semelhantes à Terra.

A busca por exoplanetas semelhantes à Terra é um dos principais focos da Astrobiologia atualmente. Em particular, os esforços se concentram em buscar planetas rochosos, com tamanhos e massas comparáveis aos da Terra localizados na chamada zona habitável de suas estrelas. A zona habitável é uma região onde as condições de temperatura permitem a existência de água líquida na superfície. Estudar essas propriedades observáveis ajuda a entender se é possível a existência de vida como conhecemos.
Além das características do planeta, as propriedades da estrela hospedeira também são importantes quando se considera a habitabilidade. Estrelas nem muito quentes nem muito frias oferecem ambientes mais estáveis ao longo de bilhões de anos. Isso porque estrelas como o Sol não possuem tantas variações extremas de radiação e atividade estelar. Estudar sistemas desse tipo também permite estimar a frequência de planetas parecidos com a Terra em torno de estrelas semelhantes ao Sol.
Recentemente, o exoplaneta HD 137010b foi encontrado por astrônomos usando dados obtidos pelo telescópio Kepler no passado. Ele é um candidato à exoplaneta que foi identificado orbitando uma estrela parecida com o Sol. A órbita do exoplaneta o coloca dentro da zona habitável do sistema. A descoberta, anunciada esta semana pela NASA, ainda classifica o objeto como um candidato, o que significa que observações adicionais são necessárias para confirmar se é mesmo um exoplaneta.
Exoplanetas
Exoplanetas são planetas que orbitam estrelas fora do Sistema Solar e são as principais fontes da busca por vida fora da Terra. Atualmente há mais de 5 mil exoplanetas confirmados com outros, esperando confirmação mas desde as primeiras detecções, ficou claro que sistemas planetários são comuns na Galáxia. Além disso, eles apresentam uma grande diversidade de massas, tamanhos e órbitas. Dependendo do tamanho e da composição do exoplaneta é classificado como rochoso, gasoso ou até mundos aquáticos.
Um dos métodos mais utilizados para detectar exoplanetas é chamado de método de trânsito. Ele consiste em medir quedas periódicas no brilho de uma estrela quando um planeta passa à sua frente em relação a um observador aqui na Terra. A profundidade e a duração desse escurecimento fornecem informações indiretas sobre o raio do planeta e seu período orbital. Quando combinado com outras técnicas, como medições de velocidade radial, o método de trânsito permite estimar propriedades como a composição atmosférica.
Terra 2.0
Com essa busca por exoplanetas, existe um ramo específico que foca na busca por exoplanetas semelhantes à Terra. Essa busca concentra-se na identificação de mundos rochosos, com tamanhos e massas comparáveis aos do nosso planeta, que orbitam zonas habitáveis de estrelas. Esses planetas devem possuir órbitas estáveis que não causam variações extremas de temperatura. Isso depende da luminosidade e da temperatura da estrela hospedeira, sendo um dos principais critérios usados para priorizar alvos observacionais.
Além da posição orbital, a natureza da estrela é um fator importante quando vai definir alvos de observação. Estrelas muito quentes emitem radiação intensa que pode dificultar a retenção de atmosferas, enquanto estrelas muito frias podem causar travamento de maré. Por isso, estrelas semelhantes ao Sol ou um pouco mais frias são frequentemente consideradas alvos ideais quando se busca uma Terra 2.0.
HD 137010 b
Essa busca pela Terra 2.0 teve um novo capítulo quando pesquisadores analisando dados do telescópio espacial Kepler identificaram um novo candidato. O exoplaneta que recebeu o nome de HD 137010 b, orbitando uma estrela semelhante ao Sol chamada de HD 137010 e está localizado a cerca de 146 anos-luz da Terra. O exoplaneta aparenta ter tamanho um pouco maior que o terrestre e um período orbital próximo ao de um ano. Os pesquisadores estimam que o exoplaneta está na borda externa da zona habitável de sua estrela.
Candidate exoplanet HD 137010 b may be similar to Earth, with one key difference it could be REALLY cold. Brr!
— NASA Universe (@NASAUniverse) January 30, 2026
This exoplanet candidate was identified using data from NASAs retired Kepler space telescope.
Learn more: https://t.co/BtmMIgkv4J pic.twitter.com/HuJvcyudZ7
Por se tratar de uma estrela um pouco mais fria e menos luminosa que o Sol, a quantidade de energia recebida pelo planeta é menor, o que implica temperaturas superficiais baixas. No entanto, a detecção de HD 137010 b baseia-se em um único evento de trânsito observado pelo telescópio Kepler, com isso o objeto permanece classificado como candidato até que novos trânsitos sejam observados. Além disso, novas observações podem estudar a atmosfera do possível exoplaneta e entender se pode ter temperaturas mais altas.
Por que buscar esses exoplanetas?
Uma pergunta que tem surgido com a divulgação da descoberta desse exoplaneta é: por que estudar esses objetos que estão a distâncias inalcançáveis? Apesar de não ter a possibilidade de visitar esse mundo distante, estudá-lo permite ter informações sobre os processos físicos e químicos que moldam planetas rochosos. Ao observar mundos com massas, tamanhos e órbitas semelhantes às da Terra, os cientistas conseguem investigar quais condições iniciais favorecem a presença de água e moléculas essenciais à vida.
Além disso, encontrar planetas como a Terra permite estimar quão comum é a formação de mundos parecidos com nosso planeta. Isso é um parâmetro para entender se a nossa situação é típica ou rara dentro da Galáxia ou do Universo. Medidas de frequência, composição e ambientes orbitais revelam como estrelas e planetas interagem ao longo de bilhões de anos e quais fatores tornam um planeta estável ou hostil.