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Onda de calor histórica atinge América do Norte

Ainda antes do verão astronómico iniciar, o Hemisfério Norte tem experimentado alguns episódios de calor extremo, nomeadamente nos Estados Unidos da América e em alguns países da Europa, que colocam milhões de pessoas sob avisos meteorológicos.

Pássaro refresca-se.
Tal como os seres humanos, os animais também sofrem com as temperaturas elevadas, procurando constantemente refrescar-se nos cursos de água.

Em algumas áreas dos Estados Unidos (EUA), as temperaturas máximas bateram recordes no sábado e domingo, situação que se prolongou durante esta semana. No sábado, pelo menos 16 cidades norte-americanas (o correspondente a 27 comunidades) igualaram ou bateram o recorde estabelecido de temperatura máxima, que vigorava em alguns casos há quase 100 anos. Já no dia de domingo, mais de 75 milhões de pessoas estavam em regiões sob avisos meteorológicos relacionados com as temperaturas elevadas.

Segundo o Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA (NWS, na sigla em inglês), as cidades mais afetadas pelo calor localizam-se no Sudoeste do país e nas planícies do Sul. Por exemplo, no aeroporto da cidade de Phoenix, no sábado, registou-se uma temperatura de 45,5°C, ou seja, igualou-se o valor mais alto de temperatura registada há um século.

O vento também estará presente, o que vai potenciar o risco de ocorrência de incêndios florestais.

As cidades de Las Vegas e Denver (onde há menos de um mês nevou com alguma intensidade), registaram temperaturas acima dos 37,7 °C. Já no Vale da Morte, no estado da Califórnia, um dos locais mais quentes do planeta, registaram-se 50,6°C no passado sábado. Este episódio de calor levou as autoridades a criarem locais de acolhimento de população que funcionavam como refúgio, as chamadas cooling stations.

Uma onda de calor é definida (nos EUA) quando se registam dois ou mais dias de temperaturas anormalmente elevadas (e desconfortáveis) conjugadas com valores elevados de humidade relativa. Alguns especialistas em meteorologia afirmam que o calor é o “assassino n.º 1” do ponto de vista dos fatores climáticos, no subcontinente norte-americano.

E para o que resta desta semana?

Se o fim de semana passado foi de recordes, a corrente semana não tem sido menos impactante: são esperadas temperaturas muito elevadas em grande parte dos EUA, com todos os tipos de avisos meteorológicos para quase um terço da população norte-americana. Grandes porções do Centro-Oeste, do Sudeste e do Sudoeste do território vão experimentar temperaturas acima dos 37°C.

Desta quinta-feira em diante, ocorrerá uma ligeira diminuição das temperaturas no Leste, mas no interior Sul dos estados da Califórnia e do Arizona são esperadas novas subidas da temperatura, estando já emitidos avisos para o calor extremo. O vento também estará presente, o que vai potenciar a ocorrência de incêndios florestais. No Sudoeste do Colorado e no Norte do Novo México vão verificar-se condições favoráveis à fácil ignição e rápida propagação de incêndios.

Em outras áreas, as temperaturas vão baixar substancialmente, devido à passagem de um conjunto de frentes frias que vão provocar chuva localizada no Noroeste do país e queda de neve nos pontos mais altos, como é o caso das Montanhas Rochosas. Na parte Noroeste do Estado do Montana, onde se encontra o Glacier Natural Park, foi emitido um aviso meteorológico devido à tempestade de inverno que se aproxima, que trará vários centímetros de neve.

O calor intenso, bem como as tempestades de inverno em uma altura em que nos aproximamos do verão no Hemisfério Norte têm impressionado os meteorologistas. Segundo Bob Oravec, do NWS, “a grande questão: quão persistente isto vai ser?”.