Julho 2019 confirmado como o mês mais quente da história

Nessa segunda (05/08) o Programa Copernicus confirmou o que os cientistas já esperavam, o mês de julho de 2019 foi o mês mais quente da história! Mais uma vez novos recordes de temperatura foram registrados em diversas localidades do mundo.

Paola Bueno Paola Bueno 06 Ago. 2019 - 12:07 UTC
As previsões foram confirmadas, julho de 2019 foi o mais quente da história global.

O Serviço Copernicus de Mudanças Climáticas da União Europeia confirmou nessa segunda (05) que o mês de julho de 2019 foi o mês mais quente da história global. Esse anúncio confirma as previsões anteriores de que julho de 2019 seria no mínimo tão quente quanto ou possivelmente mais quente que o antigo mês de julho mais quente da história, ocorrido em 2016.

Os dados finais do programa Copernicus mostram que esse mês de julho foi 0.56°C mais quente que a média do período entre 1981 a 2010, cerca de 0.04°C mais quente que o antigo julho mais quente, o mês de julho de 2016. Apesar da pequena margem, essa anomalia coloca o mês de julho de 2019 em primeiro lugar no ranking de julhos mais quentes do planeta.

Esse novo recorde de temperatura é ainda mais notável se compararmos com o anterior de 2016. O recorde de julho de 2016 ocorreu durante um dos eventos de El Niño mais intensos da história, o que contribuiu significantemente para o aumento das temperaturas naquele ano. Já nesse ano não tivemos um El Niño tão intenso, o que tivemos foi um El Niño de intensidade fraca que já apresentava sinais de enfraquecimento desde junho. Isso significa que este recorde de temperatura foi alcançado sem o aquecimento natural do Oceano Pacífico, que costuma aumentar a temperatura média da Terra.

Ainda segundo Copernicus, todos os meses de 2019 se classificaram entre os quatro mais quentes do ranking do mês em questão, com junho sendo o mais quente já registrado. “Tudo isso significa que estamos no caminho para que o período de 2015 a 2019 sejam os cinco anos mais quentes da história. Somente nesse ano vimos recordes de temperatura serem quebrados de Nova Délhi a Anchorage, de Paris a Santiago, de Adelaide e do Círculo Polar Ártico. Se não tomarmos medidas sobre a mudança climática agora, esses eventos climáticos extremos são apenas a ponta do iceberg. E, de fato, o iceberg também está derretendo rapidamente”, disse o Secretário Geral da ONU, António Guterres, ao anunciar os dados em Nova Iorque.

Temperaturas recordes em Julho

Apesar de julho tipicamente ser o mês mais quente do ano no mundo, nesse último mês uma série de recordes foram batidos. Diversos países registraram seu dia mais quente da história em julho: 42.6°C foi registrado em Paris, 41.8°C na Bélgica, 40.8C em Luxemburgo, 42.6°C na Alemanha, 40.7°C na Holanda, 38.7°C no Reino Unido. A estação Nord, situada a situada a 900 km do Pólo Norte, mediu uma temperatura de 16°C e no oeste da Groenlândia, a estação de Qaarsut registrou uma temperatura de 20,6°C. A Groenlândia perdeu impressionantes 217 bilhões de toneladas de gelo e incêndios florestais devastaram o Ártico.

Comparado aos níveis do período pré-industrial, julho ficou 1.2°C acima da média do período entre 1850 e 1900. Isso significa que estamos nos aproximando do limiar de 1.5°C estabelecido em 2015 em Paris. Nas palavras de António Guterres “prevenir as perturbações climáticas irreversíveis é a corrida das nossas vidas, e para nossas vidas. É uma corrida que podemos e devemos vencer”.

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