Sorgo gigante: a nova aposta da Embrapa que quer virar seguro forrageiro
A Embrapa lança o sorgo forrageiro gigante BRS 662 com potencial acima de 80 t/ha e forte rebrota. Veja por que ele ganha espaço num campo marcado por calor, veranico e busca por segurança alimentar.

Em anos de clima mais instável, o que mais preocupa muita gente no campo não é apenas produzir grão, mas garantir comida para o rebanho sem entrar em corrida contra o tempo.
É nesse ponto que o sorgo volta ao centro da conversa. A Embrapa Milho e Sorgo anunciou o lançamento do híbrido forrageiro gigante BRS 662, comercializado como LAS6002F, em parceria com a Latina Seeds, com apresentação marcada para 11 de março de 2026 durante a comemoração dos 50 anos da unidade, em Sete Lagoas (MG).
Segundo a Embrapa, o material pode superar 80 toneladas de forragem por hectare em um único corte, com ciclo de até 125 dias e rebrota de até 60% da produção inicial. Em um cenário em que custo de silagem, calor e veranicos pesam mais nas decisões do produtor, a cultivar chega com argumento forte: reduzir o medo de faltar volumoso na época errada.
Por que o sorgo está ganhando espaço
O sorgo não é novidade na pecuária, mas sua relevância cresce quando o clima deixa de colaborar. Publicações da Embrapa destacam que a cultura é de clima quente, tem mecanismos eficientes de tolerância à seca e, no processo de ensilagem, se destaca por facilidade de cultivo, altos rendimentos e maior tolerância ao calor e à restrição hídrica.
No caso do BRS 662, a proposta vai além de “produzir muito”. O híbrido foi apresentado como material de porte gigante, com produção de forragem estável na primeira e na segunda safra, além de resistência a doenças importantes da cultura.

Isso muda a conversa porque segurança forrageira não depende só de quantidade: depende também de regularidade, capacidade de recuperação e menor chance de perder área útil por problemas sanitários ou climáticos.
O que faz esse material chamar tanta atenção
Uma das razões para o interesse é que ele conversa diretamente com o bolso do produtor. Se uma área entrega grande volume em pouco tempo e ainda rebrota bem após a colheita, o uso da terra fica mais eficiente. Em vez de depender de um único corte ou de replantios frequentes, o sistema ganha mais fôlego para atravessar períodos críticos, sobretudo em propriedades que trabalham com silagem e precisam planejar alimento com antecedência.
Os principais atrativos do BRS 662, segundo os materiais divulgados, são estes:
- potencial superior a 80 t/ha de forragem em um corte;
- ciclo curto, de até 125 dias;
- rebrota elevada, podendo chegar a 60% da produção inicial;
- adaptação para primeira e segunda safra;
- uso voltado à silagem, com possibilidade de aproveitamento também em biogás e cogeração de energia.
O valor do material está em ampliar a margem de segurança, não em eliminar o risco climático. É justamente essa diferença que torna a pauta mais interessante do que um simples lançamento de mercado.
O que muda daqui para frente
O surgimento de um sorgo forrageiro gigante com essas características ajuda a mostrar para onde a pecuária está olhando. Em vez de pensar apenas em produtividade máxima, cresce a busca por materiais que entreguem previsibilidade em ambientes mais quentes e mais sujeitos a irregularidade de chuva.
O impacto mais interessante talvez não esteja apenas no tamanho da planta, mas na mudança de lógica. Quando calor, veranico e custo de alimentação entram no radar, o sorgo deixa de ser cultura secundária e passa a ser peça estratégica.
Se o BRS 662 confirmar no campo o desempenho anunciado, ele pode reforçar uma tendência maior: a de que a forragem do futuro será escolhida menos pelo costume e mais pela capacidade de resistir, rebrotar e manter o sistema produtivo de pé.
Referência da notícia
Novo sorgo forrageiro gigante chega ao mercado com alta produtividade e qualidade. 24 de fevereiro, 2026. EMBRAPA.