Desmatamento recua 19% no Cerrado, mas avança 12% na Amazônia em agosto
Dados do Inpe mostram redução dos alertas no Cerrado e avanço na Floresta Amazônica; governo cria áreas prioritárias para proteger regiões responsáveis pela recarga dos aquíferos e rios brasileiros.

Os alertas de desmatamento apresentaram trajetórias opostas em dois dos maiores biomas brasileiros em agosto. Enquanto o Cerrado registrou queda de 19% na área sob alerta, a Amazônia teve aumento de 12% em comparação com o mesmo mês de 2025.
No Cerrado, 238 km² de vegetação nativa ficaram sob alerta de desmatamento em agosto deste ano, contra 294 km² no mesmo período do ano passado. Na Amazônia, por outro lado, a área passou de 319 km² para 358 km². Somados, os dois biomas registraram 596 km² sob alerta no mês.
Os números são do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), utilizado para identificar rapidamente alterações na cobertura vegetal e orientar operações de fiscalização. Os dados oficiais anuais de desmatamento são calculados por outro sistema do instituto, o Prodes, que utiliza metodologia mais precisa.
Período seco favorece desmatamento
Os meses de julho, agosto e setembro historicamente concentram parte significativa do desmatamento na Amazônia. A redução das chuvas durante esse período facilita a retirada da vegetação e, ao mesmo tempo, diminui a presença de nuvens, permitindo melhores condições para a observação da superfície por satélites.

No Cerrado, a dinâmica é semelhante, embora a estação seca geralmente seja mais longa e comece antes, por volta de maio. Por causa dessas características climáticas, o Inpe considera como temporada anual de monitoramento do desmatamento o período entre 1º de agosto e 31 de julho do ano seguinte.
Apesar do aumento observado na Amazônia em agosto, os dados recentes mostram uma tendência positiva quando analisado um intervalo maior. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, a floresta registrou a menor área sob alerta de desmatamento de toda a série histórica do Deter, iniciada em 2015.
Cerrado ganha proteção para áreas de recarga hídrica
A divulgação dos números coincidiu com o Dia do Cerrado e com a criação de um novo mecanismo voltado à conservação do bioma. O Ministério do Meio Ambiente instituiu as Áreas Prioritárias de Recarga Hídrica no Bioma Cerrado (APRHIC), que deverão orientar ações de preservação e restauração.
A importância ultrapassa as fronteiras do próprio Cerrado. O bioma abriga nascentes de oito das 12 grandes regiões hidrográficas brasileiras e desempenha papel estratégico no abastecimento de rios. Cerca de 94% da água que alimenta o Rio São Francisco, por exemplo, tem origem no Cerrado.
Vegetação ajuda a manter rios e aquíferos
As raízes profundas características da vegetação nativa permitem que a água das chuvas penetre no solo e abasteça reservatórios subterrâneos. Com a retirada dessa cobertura, o processo de infiltração é prejudicado, o que pode afetar aquíferos e reduzir a disponibilidade de água nos rios durante períodos de estiagem.
Estudos que subsidiaram a criação das áreas prioritárias apontam que 51,2% da extensão do Cerrado exerce papel relevante para a recarga hídrica. O mapeamento poderá ser utilizado pelo poder público para direcionar investimentos em conservação e avaliar pedidos de autorização para retirada da vegetação.
O governo também regulamentou modalidades de pagamento por serviços ambientais, mecanismo que permite recompensar proprietários pela conservação da vegetação nativa. As medidas buscam associar proteção ambiental, planejamento territorial e incentivos econômicos diante da pressão histórica sobre o Cerrado e a Amazônia.
Referência da notícia
Folha de São Paulo. (2026). Desmatamento cai 19% no cerrado e sobe 12% na Amazônia em agosto.