Cidade no Cerrado Brasileiro reúne cachoeiras, grutas e vestígios humanos de mais de 11 mil anos
Serranópolis (GO) combina paisagens do Cerrado e patrimônio arqueológico, com dezenas de sítios, milhares de pinturas rupestres e descobertas que ajudam a reconstruir antigas ocupações humanas

Entre paredões rochosos, cursos d’água e áreas preservadas do Cerrado, Serranópolis, em Goiás, reúne natureza e arqueologia em um mesmo território. O município possui dezenas de sítios arqueológicos catalogados e abriga vestígios que indicam a presença humana na região há milhares de anos.
Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o complexo arqueológico de Serranópolis está entre os conjuntos mais importantes e completos do Brasil. O órgão registra mais de 30 sítios relacionados a grupos caçadores-coletores e agricultores-ceramistas, com datações próximas de 11 mil anos antes do presente.
A Prefeitura de Serranópolis informa a existência de 42 sítios arqueológicos catalogados. Entre os principais está a Gruta do Diogo, onde foi encontrado o esqueleto conhecido como Zé Gabiroba, ou Homem da Serra do Cafezal, apresentado pelo município como tendo mais de 11.500 anos.
Vestígios revelam diferentes períodos de ocupação
Além dos restos humanos, os abrigos rochosos preservam milhares de registros rupestres. De acordo com o Iphan, pesquisadores identificaram mais de 1.100 figuras pintadas e cerca de 4.000 gravuras em 14 dos 26 abrigos estudados.
A pesquisa arqueológica também continua revelando novos vestígios. Em 2023, o Iphan informou a descoberta, em Serranópolis, de outro esqueleto humano cuja idade poderia chegar a 12 mil anos, além de dez crânios datados em aproximadamente 1.600 anos.
Natureza e arqueologia no mesmo roteiro
A experiência turística do município combina os sítios arqueológicos com grutas, cachoeiras, corredeiras, trilhas e áreas preservadas. A proximidade entre esses elementos permite conhecer tanto a paisagem natural quanto os vestígios das populações que ocuparam a região.

A Gruta do Diogo ocupa lugar central nesse roteiro por estar associada ao achado de Zé Gabiroba. Já as cachoeiras e corredeiras ampliam a experiência de contato com o Cerrado, enquanto reservas particulares e áreas de observação de fauna e aves oferecem outras possibilidades de visita.
Para conhecer os sítios, no entanto, é necessário considerar que se trata de patrimônio arqueológico protegido. O Iphan orienta que visitantes não retirem materiais, não alterem o solo ou as estruturas dos abrigos e não toquem em pinturas e gravuras. A recomendação é observar e fotografar sem interferir nos vestígios.
Um patrimônio que atravessa milhares de anos
Serranópolis reúne, em uma mesma paisagem, elementos naturais e registros de diferentes períodos da presença humana no Cerrado. O conjunto formado por água, rochas, vegetação e sítios arqueológicos permite compreender o território para além de sua dimensão turística.
Com acompanhamento de condutores locais e planejamento prévio, o visitante pode combinar áreas naturais e arqueológicas respeitando as regras de acesso e conservação. Assim, cachoeiras, grutas e vestígios milenares deixam de ser atrações isoladas e passam a compor uma história contínua sobre a ocupação do Cerrado.
Referência da notícia
Olhar Digital. (2026). Cachoeiras, grutas e sítios arqueológicos dividem o mesmo roteiro em um município goiano onde um esqueleto com mais de 11.500 anos ajuda a contar uma ocupação humana antiquíssima do Cerrado.