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Desastres no Brasil: chuva deixa estragos, mortos, feridos e desaparecidos

Com chuva volumosa e persistente, diversas regiões do Brasil registram desastres com estragos, mortos, feridos e desaparecidos. Situação mais grave está concentrada no Sul, mas Sudeste e Nordeste também sofrem.

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Desastre com deslizamento de terra registrado em Guaratuba, litoral do Paraná. Foto: Defesa Civil.

Nos últimos dias, a combinação de sistemas meteorológicos em diferentes níveis da atmosfera como frente fria, Vórtice Ciclônico em Altos Níveis (VCAN) e Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), castigou o país provocando chuva intensa, persistente, forte e volumosa, o que ocasionou desastres que deixaram estragos, mortos, feridos e desaparecidos.

A situação mais grave está concentrada na região Sul em que Paraná e Santa Catarina registraram muitos desastres inclusive com mortes, mas também já há registro de óbitos, desabrigados e desalojados em outros estados do país como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia.

Chuva provoca mortes no Sul

Com a chuva intensa dos últimos dias, a situação é grave e ainda muito preocupante no Sul, em especial no litoral do Paraná, onde houve um deslizamento de terra de grande proporção na BR-376 em Guaratuba. Mortes já foram constatadas, alguns feridos já resgatados, porém, ainda há carros e caminhões soterrados.

Depois de 50 horas de buscas por vítimas do deslizamento de terra em Guaratuba no Paraná, equipes de resgate chegam à área com possíveis soterrados.

O resgate das vítimas do deslizamento na BR-376 tem sido dificultado pela continuidade da chuva na região e o risco iminente de mais terra ceder, no entanto, o esforço tem sido grande. Equipes relatam que não encontraram mais corpos e nem sobreviventes, então até o momento foram confirmadas duas mortes.

O Corpo de Bombeiros inclusive, que inicialmente estimou cerca de 30 desaparecidos, agora trabalha com um menor número de possíveis vítimas do deslizamento, mas a incerteza é grande visto que os bombeiros começaram a tirar a lama da área mais afetada agora. É tanta lama, tanta terra que a área tem uma extensão de 4,5 mil metros quadrados e o volume a ser removido equivale à carga de 250 caminhões caçamba.

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Canelinha, na Grande Florianópolis, foi uma das cidades alagadas de SC (Foto: Jaison Amorim) (Foto: CBMSC/Divulgação)

Em Santa Catarina os desastres também chamaram a atenção, principalmente por ter atingindo com grandes proporções a capital Florianópolis. Muitos alagamentos, inundação, situação que fez o prefeito e o governador decretarem situação de emergência.

A chuva que aconteceu entre a noite de quarta-feira (30) e a madrugada da quinta-feira (01) deixou vários bairros da grande Floripa embaixo d'água e deixou famílias ilhadas, além disso, foram registrados vários deslizamentos de terra não só na capital, como em outros pontos do estado catarinense. Até o momento, duas mortes foram confirmadas e outras duas pessoas estão desaparecidas.

Segundo informações da Defesa Civil, em todo o estado de Santa Catarina há cerca de 460 desabrigados e 220 desalojados. A capital foi bastante afetada após o registro de 256 milímetros em 24 horas.

Sudeste e Nordeste afetados pelas chuvas

No Rio de Janeiro foram confirmadas três mortes até o momento por conta das chuvas intensas dos últimos dias. O grande volume de chuva, o solo encharcado, o nível dos rios elevados, tudo gerando preocupações e tomadas de decisão de órgãos responsáveis.

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De acordo com o Centro de Operações Rio (COR), são nove pontos com acúmulo de água e uma queda de árvore na cidade. Foto: Reprodução.

Na cidade de Conceição de Macabu houve registro da morte de uma idosa de 62 anos após um deslizamento de terra, sua filha que havia sido resgatada com vida e estava internada em estado grave não resistiu e também veio a óbito no hospital. Além disso, outras cinco pessoas ficaram feridas. Outra morte confirmada foi de um idoso atingido por um raio em Carapebus, onde ainda existem desaparecidos devido às enchentes.

Em Minas Gerais, mais de 40 cidades estão em estado de emergência após as chuvas. Até o momento, duas mortes foram confirmadas, uma em Piraúba, na Zona da Mata e outra em Bom Jesus do Galho na faixa leste mineira. De acordo com a Defesa Civil, há cerca de 956 pessoas desabrigadas e mais de 3 mil desalojadas.

No Espírito Santo uma pessoa morreu na cidade de Viana após o desabamento de uma casa, e mais de 2 mil tiveram que sair de suas casas. Desses desalojados, 530 não tinham para onde ir. A Defesa Civil do estado divulgou que a cidade Fundão teve o maior volume de chuva registrado em 24 horas, cerca de 225 milímetros.

32 cidades foram afetadas pelas chuvas na Bahia onde mais de 3.600 pessoas ficaram desalojadas. Tem chovido de forma expressiva no território baiano há cerca de duas semanas por conta da formação da ZCAS. O sistema canalizou a umidade da Amazônia em direção à frente fria que estava na costa entre Sudeste e Nordeste nos últimos dias.

Aliás, falando da capital baiana, em Salvador o volume de chuva acumulado ao longo do mês de novembro foi o equivalente a 208,7% da média climatológica. O esperado para o mês era de 108,2 milímetros e foram registrados 225,8 milímetros segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET).