El Niño tem probabilidade de mais de 80% de acontecer, segundo a NOAA

As previsões mais recentes divulgadas pela NOAA nesta quinta-feira indicam um aumento significativo na probabilidade de ocorrência de El Niño, que agora passa dos 80% no segundo semestre de 2026.

Previsão de anomalias de temperatura da superfície do oceano (TSM) do modelo ECMWF para o trimestre Julho - Agosto - Setembro 2026 mostra um El Niño no oceano pacífico equatorial.
Previsão de anomalias de temperatura da superfície do oceano (TSM) do modelo ECMWF para o trimestre Julho - Agosto - Setembro 2026 mostra um El Niño no oceano pacífico equatorial.

No último mês, o Oceano Pacífico equatorial vem aquecendo de maneira consistente. Para os meteorologistas, isto é um indício claro da chegada de um El Niño no ano de 2026 - E previsões divulgadas pela National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) nesta quinta-feira (12) corroboram ainda mais essa visão.

O El Niño Oscilação Sul (ENSO) é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica nos trópicos e influencia os padrões de chuva e temperatura em várias partes do mundo, inclusive no Brasil.

A projeção mensal mais recente indica uma probabilidade muito alta de formação de um El Niño a partir do segundo semestre de 2026. Segundo a atualização de março, as chances do fenômeno aumentaram significativa em comparação à ultima atualização emitida em Fevereiro.

Chances de El Niño aumentam para mais de 80%

Neste momento, a região denominada “Niño 1+2”, localizada próxima às costas do Peru e do Equador, já registrou anomalias de temperatura na superfície do oceano (TSM) de até +0,9 °C, como podemos observar na imagem abaixo. Isso já indica um episódio de El Niño Costeiro em vigência.

Regiões do ENSO no oceano pacífico equatorial (esquerda) e anomalias de TSM na região do Niño 1+2 (direita) mostram que já existe um El Niño costeiro, próximo ao Peru e ao Equador.
Regiões do ENSO no oceano pacífico equatorial (esquerda) e anomalias de TSM na região do Niño 1+2 (direita) mostram que já existe um El Niño costeiro, próximo ao Peru e ao Equador.

Este aquecimento das águas oceânicas já está causando chuvas intensas sobre o Peru e o Equador, um dos impactos clássicos da presença de El Niño sobre a América do Sul. Nas demais regiões do Niño, as temperaturas seguirão aumentando nos próximos meses.

De acordo com as projeções da NOAA, no trimestre Março - Abril - Maio predominam condições de neutralidade (com probabilidade de 93%). No entanto, ao longo dos meses seguintes, a probabilidade de El Niño aumenta MUITO.

A tendência de aquecimento se intensifica nos meses seguintes, superando as chances de neutralidade já no trimestre Junho - Julho - Agosto e superando os 80% no trimestre Outubro - Novembro - Dezembro. Essa evolução pode ser observada claramente na imagem abaixo.

Previsão de probabilidades do ENSO emitidas em março de 2026 pela NOAA / CPC.
Previsão de probabilidades do ENSO emitidas em março de 2026 pela NOAA / CPC.

Na prática, as projeções indicam que o Pacífico Equatorial deve permanecer neutro durante grande parte do primeiro semestre, mas com chances altíssimas de configuração de um episódio de El Niño no segundo semestre. Algumas projeções indicam que o El Niño pode se configurar mais cedo, já no final deste outono.

Efeitos do El Niño no clima brasileiro

O El Niño Oscilação Sul é um dos fenômenos climáticos mais bem estudados do planeta. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em anos de El Niño, é comum observar os seguintes efeitos no clima brasileiro:

  • Região Sul: Chuvas mais intensas e frequentes e aumento das temperaturas;
  • Região Sudeste: Aumento moderado das temperaturas e ondas de calor;
  • Região Centro-Oeste: Sem efeitos muito pronunciados, mas chuvas e temperaturas podem ficar acima da média no Mato Grosso do Sul.
  • Região Nordeste: Diminuição brusca das chuvas e secas severas, especialmente no verão.
  • Região Norte: Diminuição das chuvas, secas severas, aumento pronunciado de incêndios florestais.

Em outras palavras, o fenômeno costuma estar associado a um aumento das chuvas no Sul do país, condições mais secas e quentes no Norte e em partes do Nordeste, e um aumento das temperaturas em grande parte do país, embora os efeitos possam variar de intensidade a cada evento.