Comunidade Ashaninka se destaca pela gestão florestal sustentável na Amazônia peruana

Experiência de gestão comunitária alia conhecimento tradicional e capacitação técnica, fortalece autonomia indígena, melhora renda local e preserva a floresta amazônica na região de Satipo, no Peru.

Brandon Mahuanca Ramírez, um jovem Ashaninka membro do comitê de vigilância. Crédito: Reprodução/Agência
Brandon Mahuanca Ramírez, um jovem Ashaninka membro do comitê de vigilância. Crédito: Reprodução/Agência

A comunidade indígena Ashaninka Coriteni Tarso, localizada na região de Satipo, na Amazônia peruana, tem se destacado como referência em gestão florestal sustentável. O trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos chamou a atenção de autoridades ambientais do país, que passaram a considerá-lo um modelo replicável para outras áreas da Selva Central.

O reconhecimento veio da Agência de Supervisão dos Recursos Florestais e da Vida Selvagem (Osinfor), que destacou a evolução da comunidade tanto na organização interna quanto na adoção de práticas responsáveis de manejo dos recursos naturais. A iniciativa ganhou ainda mais visibilidade ao ser retratada em uma crônica que detalha a trajetória do povo Ashaninka na preservação da floresta.

Cercada por montanhas cobertas de vegetação densa e cortada pelo rio Tambo, a comunidade transformou um cenário de incertezas em um exemplo de resiliência e aprendizado. O que antes era marcado por dificuldades técnicas e econômicas passou a representar um caso bem-sucedido de equilíbrio entre uso dos recursos naturais e conservação ambiental.

Desafios iniciais e aprendizado coletivo

Há cerca de uma década, a comunidade iniciou atividades madeireiras sem o conhecimento técnico necessário para garantir a sustentabilidade do processo. Nesse período, erros foram cometidos, incluindo infrações que impactaram tanto o meio ambiente quanto a renda local.

Treinamento da Osinfor para comunidade Ashaninka. Foto: Reprodução/Agência Andina
Treinamento da Osinfor para comunidade Ashaninka. Foto: Reprodução/Agência Andina

A falta de orientação adequada expôs os moradores a práticas injustas por parte de intermediários e empresas externas, que exploravam a madeira sem transparência. Além disso, a ausência de controle técnico sobre a extração aumentava o risco de degradação da floresta, colocando em perigo o território e a cultura Ashaninka.

Diante desse cenário, cresceu entre os moradores a percepção de que era necessário mudar. A ameaça não era apenas econômica, mas também ambiental e cultural, já que a floresta representa a base da vida e da identidade do povo.

Capacitação e mudança de práticas

A transformação começou em 2017, quando a comunidade decidiu investir em conhecimento e adotar práticas sustentáveis. Com o apoio da Osinfor, foram realizadas capacitações voltadas ao manejo florestal responsável, respeitando a cultura local e promovendo uma abordagem intercultural.

Os treinamentos ocorreram dentro da própria floresta, permitindo que homens e mulheres aprendessem técnicas como medição de madeira, registro em cadernos de campo e monitoramento da extração. O uso de ferramentas como GPS também passou a fazer parte da rotina dos membros responsáveis pela vigilância.

Com isso, a comunidade assumiu o controle direto de seu território, fortalecendo sua autonomia. A organização interna foi ampliada, incluindo a parceria com profissionais técnicos para garantir a rastreabilidade da madeira e a preservação de árvores essenciais para a regeneração da floresta.

Resultados e impacto na qualidade de vida

Os resultados desse processo não demoraram a aparecer. Ao longo dos anos, a comunidade foi aprovada em diversas supervisões florestais, consolidando-se como exemplo de boas práticas. O reconhecimento oficial veio com certificações que atestam o cumprimento das normas ambientais.

Além dos avanços institucionais, houve melhorias concretas na qualidade de vida dos moradores. A infraestrutura local foi ampliada, facilitando o comércio e o acesso a serviços, enquanto novas atividades econômicas, como piscicultura e agricultura, passaram a complementar a renda.

A experiência da comunidade Ashaninka Coriteni Tarso ultrapassa seus limites territoriais e inspira outros povos indígenas da região. O caso demonstra que o manejo sustentável da floresta é possível quando há compromisso, organização e respeito profundo pela natureza, garantindo não apenas a preservação ambiental, mas também um futuro mais próspero para as próximas gerações.

Referências da notícia

Portal Amazônia. Comunidade Ashaninka se destaca pela gestão florestal sustentável na Amazônia peruana. 2026