Ciclone bomba histórico atinge os EUA

A última tempestade do inverno atingiu os EUA nessa semana e promete entrar para a história. O desenvolvimento de um ciclone bomba no meio do continente é um evento raro e já promoveu ventos equiparáveis aos de um furacão categoria 1.

Carolina Barnez Carolina Barnez 14 Mar. 2019 - 07:49 UTC

A parte central dos Estados Unidos da América (EUA) está sob o efeito de de um enorme ciclone extratropical com condições extremamente atípicas. Vários estados norte-americanos estão em alerta e na quarta-feira estradas e aeroportos foram fechados. O sistema atmosférico apresentou uma rápida intensificação e a força de seus ventos é comparável com a de um furacão. O ciclone já é chamado extra-oficialmente de Ulmer pela mídia e os meteorologistas da Agência Nacional Atmosférica e Oceânica dos EUA (NOAA) o classificaram como “ciclone bomba” por seu rápido desenvolvimento.

O fenômeno é considerado muito raro, uma vez que ciclogênese bomba ocorre preferencialmente sobre o oceano. Mais especificamente, na borda oeste das bacias oceânicas, onde as correntes marinha são mais quentes e a temperatura de superfície do mar elevada fornece combustível para uma intensificação mais rápida dos ciclones de latitudes médias ou extratropicais.

Apesar de aterrorizante, o termo “ciclone bomba” é um termo técnico que foi criado em 1980 por Sanders e Gyakum e se refere a um ciclone extratropical que sofre uma intensificação muito rápida - no caso, a pressão central do sistema deve cair pelo menos 24 hPa em 24 horas, segundo o critério estabelecido pelos dois pesquisadores. A pressão no centro do sistema em questão caiu de 1000 para 976 hPa de terça para quarta-feira, cumprindo o requisito. Mais incomum ainda é que algumas previsões mostram a formação de um “olho” no centro do sistema, feição típica de ciclones tropicais. Essas condições raras e o poder destrutivo deste ciclone fazem alguns veículos de comunicação chamá-lo de tempestade do século.

Os alertas começaram na terça a tarde, quando o sistema saía da região das montanhas rochosas em direção a Denver. O ciclone extratropical atinge agora a maior parte do centro do país, afetando mais severamente a parte superior do vale do rio Mississippi. Milhões de pessoas estão sob alerta de ventos fortes, tempestades severas, alagamentos e nevascas recordes. Na quarta foi registrado em Nebrasca rajadas de ventos de 143 km/h, que equivalem a um furacão categoria 1 (119 - 153 km/h). Os estados mais afetados são Texas, Novo México, Kansas, Colorado e Nebrasca, onde o fornecimento de energia já apresenta problemas e muitas atividades foram suspensas.

Ainda existem poucas informações disponíveis sobre quais mecanismos dinâmicos e termodinâmicos ocasionaram as condições para o desenvolvimento deste ciclone extratropical. É provável que este sistema entre para a lista de eventos amplamente estudados pelo meio científico, como ocorre com os ciclone extratropical “A Grande Tempestade” (Europa, 1987) e os tropicais “Katrina” (EUA, 2005) e “Catarina” (Brasil, 2004), por exemplo. A previsão é que o sistema de baixa pressão perca intensidade nos próximos dias conforme se desloca em direção nordeste.

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