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Correntes Oceânicas: Como o oceano se movimenta?

O oceano está em movimento constante, afetando diretamente nosso clima e ecossistemas marinhos. As correntes oceânicas podem ocorrer tanto em superfície quanto em profundidade e são essencialmente geradas pelo vento e diferenças na densidade da água do mar.

Carolina Barnez Carolina Barnez 08 Nov. 2018 - 10:27 UTC
A circulação oceânica gerada pelo vento se restringe a cerca de 400 metros de profundidade. Original de: NASA/Goddard Space Flight Center Scientific Visualization Studio.

As correntes oceânicas são forçadas basicamente pelo vento, densidade da água e marés. O formato da linha de costa e feições no fundo do mar, como cadeias montanhosas submersas, influenciam a trajetória e velocidade dessas correntes. A rotação da Terra também influencia as correntes oceânicas, devido ao efeito de Coriolis, que deflete ("desvia") o movimento para a esquerda no Hemisfério Sul e para direita no Hemisfério Norte.

Em uma escala global, a circulação oceânica pode ser dividida genericamente em uma componente forçada pelo vento e outra forçada por diferenças de densidade da água. As correntes geradas pelas oscilações de maré são mais importantes em regiões costeiras, em escalas menores, e são assunto para um outro momento.

Circulação oceânica gerada pelo vento

O efeito do vento no oceano só pode ser sentido até cerca 400 m de profundidade. Isso significa que as correntes geradas pelo vento são restritas às camadas superficiais do mar. Essas correntes influenciam diretamente a navegação, transporte de poluentes menos densos e organismos marinhos. A circulação superficial do oceano é organizada em giros oceânicos, forçados pelos padrões de vento da atmosfera. As correntes em cada bacia oceânica tendem a transportar calor em direção aos polos, sendo importantes para a redistribuição de calor na Terra e impactando diretamente o clima regional.

Circulação Termohalina Global

A outra parte da circulação oceânica de grande escala ocorre devido a diferenças na densidade da água do mar. Essas variações na densidade resultam de mudanças na temperatura e salinidade da água. Por essa razão a circulação que deriva desse processo é chamada de circulação termohalina [termo = temperatura, halina = salinidade].

A circulação termohalina é parte fundamental do sistema climático da Terra e também é crucial para os ciclos de carbono e de nutrientes. Adaptado de Rahmstorf (2002): Nature, volume 419.

Nas regiões polares, a água perde calor para a atmosfera se tornando mais fria e densa. Em caso de congelamento, o sal da água congelada é "deixado pra trás" fazendo com que as águas nos arredores se tornem mais salgadas e, consequentemente mais densas. A água mais densa ("pesada") que as águas vizinhas, tanto pelo resfriamento quanto pelo aumento de salinidade, afunda e as águas na superfície ao redor fluem para ocupar seu lugar. O mecanismo de resfriamento e aumento de densidade se repete, conforme a água da superfície vai se renovando, e uma circulação é gerada para dar continuidade ao processo. Esse mecanismo contínuo se assemelha a uma esteira de produção, onde cada seção depende do movimento do outro para continuar funcionando.

A circulação termohalina é bem lenta: se pudéssemos jogar uma bolinha que fosse transportada por essa circulação sem interferências, ela demoraria 1000 anos viajando por todos os oceanos até retornar ao ponto de partida. Apesar dessa lentidão, não se engane, a circulação termohalina é parte fundamental do sistema climático da Terra e também é crucial para os ciclos de carbono e de nutrientes. As mudanças climáticas trouxeram como consequências a hipótese do enfraquecimento ou até interrupção da circulação termohalina, trazendo graves consequências pro clima global.

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