Cataratas do Iguaçu: quase 400 quilos de moedas foram retirados do rio, um alerta para o impacto ambiental
O recuo das águas do Rio Iguaçu revelou centenas de quilos de moedas, lixo e outros objetos descartados por turistas. Especialistas alertam que essa prática prejudica o ecossistema e coloca em risco a vida aquática.

O som da água nas Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu (Paraná/BR), geralmente abafa tudo. Mas quando o nível da água baixa drasticamente, a paisagem revela uma história bem menos idílica.
Foi o que aconteceu em abril deste ano, quando uma queda significativa na vazão do Rio Iguaçu expôs parte do leito do rio na Garganta do Diabo, no lado brasileiro. Ali, durante uma operação de limpeza realizada pelo Parque Nacional do Iguaçu, juntamente com voluntários e funcionários da concessionária Urbia+Cataratas, foram descobertos 383 quilos de moedas submersas.
A cena também incluía garrafas, tampas, copos de plástico, baterias e até mesmo aparelhos eletrônicos. Um inventário que lembrava mais o conteúdo de uma gaveta esquecida do que uma das paisagens naturais mais emblemáticas da América do Sul.
Uma tradição turística com consequências ambientais
Jogar moedas na água é um costume difundido em vários destinos turísticos ao redor do mundo. A lógica parece simples: você joga uma moeda, faz um pedido e o universo "anota". O problema surge quando milhões de pedidos acabam se transformando em poluição.
#Cataratas: del lado brasileño realizan la limpieza de monedas arrojadas por turistas
— Jorge Kurrle (@jorgekurrle) April 16, 2026
El equipo del Parque Nacional Iguaçú realizó en la mañana del miércoles 15 una limpieza especial en las cascadas, aprovechando que el caudal se encontraba en 500 mil litros por segundo, un pic.twitter.com/YmY3Q81Eqs
Os responsáveis pelo parque lembraram o público de que essa prática é proibida justamente por seu impacto ambiental. As moedas contêm metais que, após imersão prolongada, oxidam e liberam substâncias que alteram a qualidade da água.
Além disso, algumas espécies aquáticas podem confundir esses objetos com alimento.
“Jogar moedas nas Cataratas do Iguaçu representa um risco ambiental”, explicou André Franzini, gerente de sustentabilidade da Urbia+Cataratas. Ele detalhou que grande parte do material removido já apresentava corrosão avançada devido à exposição prolongada à água.
Os trabalhadores que participaram da limpeza foram ainda mais diretos: muitos turistas, em vez de simplesmente admirarem a paisagem, se apegam à superstição de que jogar uma moeda fará com que seus desejos se realizem. Enquanto isso, o rio acaba funcionando como um cofrinho gigante… e tóxico.
A vazão extraordinária do Iguaçu
A operação só foi possível graças às condições excepcionais do rio. Em meados de abril, a vazão do rio Iguaçu estava entre 400.000 e 500.000 litros por segundo, muito abaixo dos níveis normais, que geralmente ficam entre 1,5 e 1,8 milhão de litros por segundo.
Cataratas do Iguaçu, Foz do Iguaçu, Paraná - PR, Brasil pic.twitter.com/wpmIpdVbp8
— Roberto Machado (@machado_ro88049) April 16, 2026
Os baixos níveis de água foram associados à persistente falta de chuvas no estado do Paraná. Segundo órgãos brasileiros, uma seca assola diversas bacias hidrográficas da região desde março, com índices pluviométricos muito abaixo do esperado.
Das 47 estações meteorológicas que monitoram a precipitação na área, apenas oito atingiram níveis normais em março. Abril seguiu a mesma tendência. Com menos água e correntes mais fracas, áreas normalmente alagadas ficaram expostas, permitindo a remoção de detritos acumulados ao longo dos anos.
Moedas, lixo e um problema recorrente
Esta não foi a primeira vez que algo assim aconteceu nas Cataratas do Iguaçu. Em 2023, 190 quilos de moedas foram retirados da mesma área. No lado argentino, em 2019, outra operação extraiu quase 90 quilos.
A diferença desta vez foi a magnitude da descoberta e as condições climáticas que facilitaram o acesso ao leito do rio.
A Urbia+Cataratas indicou que os esforços de limpeza devem ser repetidos periodicamente, incluindo sinalização e monitoramento contínuo para desencorajar esse comportamento.
As moedas recuperadas serão separadas: aquelas que ainda puderem ser reutilizadas serão destinadas a projetos ambientais e programas de educação ecológica vinculados ao Instituto Chico Mendes para a Conservação da Biodiversidade. As demais provavelmente serão retiradas de circulação. Nem mesmo os desejos resistem à corrosão.
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