Araras-canindé voltam ao céu do Rio de Janeiro depois de 200 anos
Após mais de dois séculos ausentes do céu carioca, araras-canindé passam por processo de readaptação e começam a ser reintroduzidas no Parque Nacional da Tijuca, em projeto de restauração ecológica.

Depois de mais de 200 anos desaparecidas do estado, as araras-canindé voltaram a sobrevoar o Rio de Janeiro. A reintrodução da espécie acontece no Parque Nacional da Tijuca, como parte das ações do Projeto Refauna para recuperar espécies nativas que desapareceram da fauna local.
A primeira etapa do retorno começou com a soltura de três fêmeas — Fernanda, Fátima e Sueli — no início de janeiro. As aves passaram meses em um recinto de aclimatação dentro do parque, onde se prepararam para o retorno à vida em liberdade. Um macho, batizado de Selton, permanece no viveiro e seguirá em processo de adaptação por mais tempo.
A iniciativa conta com apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e marca um passo importante na recuperação da biodiversidade da floresta urbana. As araras vieram do Parque Ecológico Três Pescadores, localizado em Aparecida, no interior de São Paulo, onde já haviam passado por reabilitação.
Preparação para o retorno à vida livre
Antes da soltura, as aves passaram por um período intenso de readaptação iniciado em junho de 2025. No viveiro instalado dentro do parque, receberam cuidados diários e participaram de atividades destinadas a fortalecer a musculatura de voo e estimular comportamentos naturais.

Segundo a bióloga Lara Renzetti, coordenadora da reintrodução no projeto Refauna, o treinamento é fundamental para garantir que as aves consigam sobreviver fora do cativeiro. O trabalho inclui exercícios físicos e uma alimentação planejada para reproduzir a dieta encontrada na natureza.
Voluntários também participam da rotina de cuidados. Um deles, Miguel Alvarenga, acompanha o desenvolvimento das araras e observa mudanças no comportamento das aves ao longo do processo. De acordo com ele, é possível perceber a evolução desde o receio inicial da presença humana até a adaptação aos treinamentos de voo e alimentação.
Papel das araras na regeneração da floresta
Além de recuperar uma espécie desaparecida da região, o projeto também busca restaurar funções ecológicas importantes. As araras-canindé desempenham papel fundamental na dispersão de sementes, contribuindo diretamente para a regeneração da vegetação da Mata Atlântica.
Essa dinâmica ajuda a ampliar a diversidade de plantas e fortalecer o ecossistema da floresta. A reintrodução de espécies que realizam esse tipo de função ecológica é considerada essencial para restaurar ambientes naturais que perderam parte de sua fauna ao longo da história.
Meta é formar nova população da espécie
O plano do Refauna prevê a reintrodução gradual de até 50 araras-canindé ao longo dos próximos cinco anos. Ainda em 2026, novos casais devem ser trazidos para o parque, aumentando as chances de reprodução e estabelecimento de uma população estável.
Para acompanhar o processo, todas as aves liberadas receberam anilhas, microchips e colares de identificação. Esses dispositivos permitem que pesquisadores monitorem os deslocamentos e avaliem o sucesso da adaptação ao ambiente natural.
A participação da população também é considerada importante para o monitoramento das araras. Moradores do entorno do parque e visitantes podem registrar avistamentos e enviar informações ao projeto, inclusive por aplicativos de registro de fauna silvestre.
Se o plano seguir como esperado, o céu do Rio poderá voltar a ser colorido pelas araras-canindé — símbolo de um ecossistema que começa, pouco a pouco, a recuperar parte de sua diversidade perdida
Referências da notícia
(((o))) eco. Voo livre: o colorido das araras-canindé retorna ao Rio. 2026
G1. Arara-canindé volta a voar no Rio depois de 200 anos. 2025