Tempo volta a mudar e há novos alertas de chuvas intensas no PR, SC e RS

A virada de mês entre julho e agosto traz um novo cenário preocupante para o Sul do Brasil, com previsão de tempestades intensas e chuvas extremas sobre áreas recentemente impactadas e muito vulneráveis.

Enquanto diversas cidades continuam com inundações, novo evento extremo deve amplificar os impactos. Na imagem, a região das Ilhas em Porto Alegre (RS) em junho/2025, em alerta para novas inundações até sábado (25). Créditos: Reprodução/Camila Cunha.
Enquanto diversas cidades continuam com inundações, novo evento extremo deve amplificar os impactos. Na imagem, a região das Ilhas em Porto Alegre (RS) em junho/2025, em alerta para novas inundações até sábado (25). Créditos: Reprodução/Camila Cunha.

Impulsionado pelo "modo El Niño" da atmosfera, um novo episódio de tempestades severas com chuvas intensas vai atingir o Sul do Brasil na última semana de julho.

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Atualmente, o El Niño domina a circulação atmosférica sobre o Pacífico tropical, sustentando uma extensa área quase estacionária de ar ascendente a partir das águas excepcionalmente aquecidas da região. Esse padrão fortalece a formação e a persistência de sistemas de tempestades, favorecendo episódios de chuva intensa e aumentando o potencial para eventos extremos em diferentes partes da América do Sul.

Enquanto centenas de cidades ainda lidam com os transtornos relacionados ao episódio do início da semana, a previsão para os próximos dias indica um agravamento deste cenário.

Tempestades isoladas estão previstas ao longo do fim de semana nos três estados, mas a partir de segunda-feira (27) os riscos se elevam: as tempestades se intensificam, atuando como sistemas mais organizados, capazes de produzir granizo, vendavais e chuvas extremas com acumulados superiores a 100 mm em 24 horas. Confira os detalhes.

Alerta de tempestades severas

Uma nova sequência de dias com tempestades violentas, elevado risco de granizo, vendavais e chuvas torrenciais está prevista entre segunda (27) e quarta-feira (29) sobre a região Sul, especialmente o Rio Grande do Sul.

A atuação do jato de baixos níveis (JBN) da América do Sul - corredor intenso de ventos de norte para sul a leste da Cordilheira dos Andes - irá transportar muito calor e umidade (rio atmosférico) em direção ao Sul do país a partir de segunda-feira (27), fornecendo ingredientes-chave para muita instabilidade e tempestades intensas.

Previsão de tempestades para segunda-feira (27), segundo o ECMWF.
Previsão de tempestades para segunda-feira (27), segundo o ECMWF.

Na segunda (27) as tempestades devem se concentrar sobre o Rio Grande do Sul e sudeste de Santa Catarina. Os sistemas mais intensos devem ocorrer no Oeste e Centro do Rio Grande do Sul.

Previsão de tempestades para terça-feira (28), segundo o ECMWF.
Previsão de tempestades para terça-feira (28), segundo o ECMWF.

Ao longo da terça-feira (28), as tempestades se fortalecem sobre todo o estado gaúcho, podendo ocorrer desde a madrugada até o fim do dia em toda a metade sul do território, mas devem alcançar a fronteira com Santa Catarina também até o final do dia. O risco de ocorrência de granizo, vendavais e chuvas torrenciais é elevado.

Previsão de tempestades para quarta-feira (29), segundo o ECMWF.
Previsão de tempestades para quarta-feira (29), segundo o ECMWF.

Tempestades severas continuam se formando sobre o Rio Grande do Sul na quarta-feira (29) enquanto também se espalham sobre o oeste de Santa Catarina e do Paraná.

Alerta de chuvas extremas

As chuvas associadas com as tempestades entre segunda (27) e quarta-feira (29) têm potencial para serem extremas ou, no mínimo, incomuns. O índice de previsão extrema (EFI) do modelo ECMWF, de confiança da Meteored, ressalta áreas onde os acumulados diários previstos pelo modelo são muito diferentes do que normalmente acontece em determinada região e época do ano.

Neste contexto, o mapa abaixo mostra na escala de cores em amarelo e vermelho a região em alerta para volumes ‘incomuns a extremos’, entre segunda (27) e quarta-feira (29), comparado a valores de referência.

EFI do modelo ECMWF para a precipitação entre segunda (27) e quarta (29). Créditos: Elaborado por Meteored com mapas do ECMWF.
EFI do modelo ECMWF para a precipitação entre segunda (27) e quarta (29). Créditos: Elaborado por Meteored com mapas do ECMWF.

Na segunda-feira (27) a região mais afetada pelas chuvas volumosas está prevista para o Oeste e Campanha do Rio Grande do Sul, onde a chuva pode ultrapassar 70 mm em 24 horas e provocar transtornos.

Na terça-feira (28) a região de alerta para chuvas incomuns a extremas se estende por uma faixa central com orientação noroeste-sudeste no território gaúcho. Os acumulados podem se aproximar ou ultrapassar 100 mm em 24 horas, principalmente na região central do Rio Grande do Sul.

Previsão de chuva acumulada até a noite de terça-feira (28), segundo o ECMWF.
Previsão de chuva acumulada até a noite de terça-feira (28), segundo o ECMWF.

Quarta-feira (29), chuvas intensas persistem. Somado aos dias anteriores, uma área entre 100 e 160 mm se espalha sobre a faixa central de leste a oeste no Rio Grande do Sul. Na metade oeste de Santa Catarina e Paraná os volumes diários podem ultrapassar 60 mm, com potencial para transtornos.

Alerta especial para o Rio Grande do Sul

A previsão estendida do modelo europeu ECMWF, utilizado pela Meteored, mantém um cenário de grande preocupação para o Rio Grande do Sul até o dia 7 de agosto.

Os maiores acumulados projetados variam entre 200 mm e 400 mm em diferentes áreas do estado, valores excepcionalmente elevados para o período e que poderão ser ajustados nas próximas atualizações.

Caso essa tendência se confirme, o potencial para novos impactos será significativo. O Rio Grande do Sul ainda enfrenta as consequências das chuvas intensas desta semana, que superaram os 200 mm em diversas localidades e provocaram cheias de rios, inundações, deslizamentos e danos à infraestrutura.

Um novo episódio de chuva extrema sobre uma região já fragilizada aumenta consideravelmente o risco de agravamento da situação. Com o solo saturado, rios em níveis elevados e milhares de pessoas ainda afetadas pelos eventos recentes, volumes adicionais de chuva devem desencadear novas enchentes, acelerar a resposta das bacias hidrográficas e provocar novos transtornos, especialmente nas áreas mais vulneráveis.