Florada dos citros sob chuva: mais de 200 estações monitoram risco de estrelinha
Chuva avança por São Paulo e sul de Minas durante a florada dos citros, aumentando o molhamento das flores e exigindo que produtores acompanhem alertas locais antes de programar pulverizações contra a podridão floral nos próximos dias.

A chuva volta ao cinturão citrícola entre esta quinta-feira (23) e sexta-feira (24), alcançando áreas de São Paulo, Triângulo Mineiro e sul de Minas Gerais. Em São Paulo, o acumulado pode alcançar cerca de 50 mm quando laranjeiras e outras variedades de citros apresentam botões expandidos ou flores abertas; café e hortaliças terão janelas de manejo reduzidas.
Para os citricultores de Bebedouro, Araraquara e Frutal, o ponto decisivo não é apenas o total de chuva, mas quantas horas as flores permanecem molhadas. A umidade prolongada favorece a germinação dos esporos associados à podridão floral dos citros, conhecida como estrelinha, enquanto pancadas sucessivas dificultam pulverizações e podem lavar produtos aplicados sem intervalo suficiente para secagem.
Chuva avança por São Paulo e alcança o sul de Minas até sexta-feira
As primeiras instabilidades se concentram no sul e oeste paulista nesta quinta-feira, avançando depois sobre o centro do estado, o Triângulo Mineiro e o sul mineiro. Entre Itapetininga, Avaré e Limeira, a previsão combina chuva e queda da temperatura; na sexta-feira, a máxima pode ficar perto de 20°C na capital paulista, enquanto áreas de Minas Gerais permanecem sob chuva mais irregular.

Esse desenho não significa que os 366.089 hectares produtivos do cinturão receberão o mesmo volume. Talhões de Matão, Bebedouro e Altinópolis podem registrar durações de molhamento distintas mesmo quando estão sob a mesma faixa de precipitação. Flores abertas são a estrutura mais exposta: água persistente e temperaturas amenas criam ambiente favorável à infecção, mas não confirmam ocorrência da doença.
Mais de 200 estações acompanham o risco de estrelinha no cinturão
O Fundecitrus iniciou em 1º de julho o envio diário de alertas de podridão floral, calculados com informações de mais de 200 estações meteorológicas. O sistema considera temperatura e molhamento para classificar o risco local como moderado, alto ou extremo.

Por isso, chuva prevista para Araraquara não permite transferir automaticamente o mesmo nível de atenção para Barretos, Limeira ou Uberaba.
Segundo o Fundecitrus, o uso direcionado do alerta pode reduzir em até 75% o número de aplicações. A decisão, porém, deve cruzar estágio da florada, histórico do talhão, estação próxima e recomendação técnica.
- Em Bebedouro, 2 dias chuvosos exigem conferir flores abertas e o alerta da estação mais próxima antes de mobilizar a pulverização.
- Em Araraquara, totais próximos de 50 mm podem encurtar a janela de aplicação e prolongar o molhamento floral.
- Em Frutal, chuva irregular pede avaliação por talhão, pois 1 pancada isolada não representa todo o Triângulo Mineiro.
- Em Limeira, a queda da temperatura reduz a secagem e pode manter flores úmidas por mais horas.
Monitoramento local define o manejo depois da chuva
Entre sábado (25) e domingo (26), a redução da chuva tende a reabrir parte das operações em São Paulo, Frutal e sul de Minas, mas o risco fitossanitário não termina quando o céu limpa. Se houver 2 ou 3 dias consecutivos de precipitação, o sistema pode indicar condição crítica, sobretudo onde botões expandidos e flores abertas permanecerem molhados por longo período.
Antes de entrar no pomar, o produtor deve verificar o alerta diário, o intervalo sem chuva, a velocidade do vento e as condições de tráfego. Em Bebedouro, Matão e Uberaba, qualquer reaplicação deve respeitar bula, histórico da área e assistência agronômica. Onde a florada ainda não abriu ou o molhamento foi curto, a decisão pode ser diferente, evitando tratamentos automáticos e custos desnecessários.
Referência da notícia
Fundecitrus. (2026). Fundecitrus inicia em julho envio de alerta de risco de podridão floral.