Tempo severo e granizo: chuvas extremas de 180 mm ameaça lavouras no RS
Tempestades severas podem levar mais de 180 mm ao Rio Grande do Sul entre quinta e segunda-feira, ameaçando trigo, canola e cevada com encharcamento, granizo, erosão, paralisação da semeadura e perda das janelas de manejo no campo.

O Rio Grande do Sul entra em uma sequência de tempestades entre quinta-feira (16) e segunda-feira (20), com risco de chuva volumosa, granizo e vento severo. Os modelos indicam alta probabilidade de acumulados acima de 180 mm entre os dias 17 e 22, com pontos próximos de 300 mm em projeções extremas. Campanha, Fronteira Oeste, Missões, Região Central, Região Metropolitana e Planalto podem ser atingidos.
Até 9 de julho, 87% da área de trigo prevista no Estado havia sido semeada; a canola ocupava 353.397 hectares, em desenvolvimento vegetativo, e a cevada estava entre emergência e perfilhamento.
Chuva persistente pode paralisar semeadura e adubação nitrogenada, além de provocar erosão, lixiviação e encharcamento. O solo já vinha com umidade elevada em várias regionais, e a Emater relatou dificuldade recente para entrar com máquinas e executar tratos culturais.
Tempestades começam no Oeste na quinta e alcançam todo o Estado no fim de semana
A quarta-feira (15) ainda deve ter tempo firme, oferecendo a última janela ampla para operações. Na quinta-feira, uma baixa pressão na Argentina e o Jato de Baixos Níveis transportam calor e umidade para o RS. As primeiras tempestades devem atingir Uruguaiana, Alegrete, São Borja, Santiago, Santa Maria, Bagé, Pelotas e Rio Grande. Na sexta-feira (17), a instabilidade avança para Ijuí, Passo Fundo e Porto Alegre.

O ar quente intensifica o risco: na sexta, as anomalias podem alcançar 10°C a 13°C acima da média e as máximas superar 32°C antes das tempestades. Entre sábado (18) e domingo (19), núcleos severos devem se espalhar pelo Estado, e outra rodada é prevista na segunda-feira. O risco de granizo é maior entre sábado e segunda.
Trigo, canola e cevada enfrentam risco de encharcamento e perda de manejo
O trigo é a cultura mais exposta. Em São Borja, 90% dos 18 mil hectares previstos já estavam implantados, e cerca de 30% das áreas mais precoces entravam em alongamento do colmo. Volumes acima de 50 mm podem fechar a janela para máquinas em solos argilosos; acumulados superiores a 100 mm aumentam o risco de erosão, falhas de drenagem e acamamento em lavouras mais adiantadas.

Na canola, áreas precoces já iniciam florescimento, fase sensível a vento, granizo e excesso de molhamento. Na cevada, predomina o desenvolvimento vegetativo inicial e o perfilhamento. Os pontos de atenção são:
- Fronteira Oeste e Campanha: chuva desde quinta pode interromper semeadura e adubação em cobertura;
- Missões e Noroeste: trigo em desenvolvimento e canola precoce ficam expostos a granizo entre sábado e segunda;
- Planalto e Alto Uruguai: chuva acima de 100 mm elevaria o risco de encharcamento e doenças foliares;
- Região Central e Depressão Central: estradas rurais e baixadas podem perder trafegabilidade rapidamente.
Janela de manejo fecha na quinta e exige planejamento até segunda-feira
Nesta terça e quarta-feira, produtores devem priorizar aplicações indispensáveis, adubação nitrogenada, limpeza de canais, retirada de máquinas de áreas baixas e conclusão da semeadura apenas onde houver piso adequado. Pulverizações precisam considerar o aumento do vento na quinta-feira.
Silos, galpões, pivôs e estruturas leves também devem ser inspecionados, porque granizo e rajadas podem causar danos mesmo onde o acumulado final for menor.
Entre quinta e segunda, a recomendação é suspender operações durante trovoadas, evitar tráfego sobre solo saturado e acompanhar alertas para granizo e vento. Rebanhos devem ter acesso a áreas altas e abrigo. A terça-feira (21) pode trazer breve redução da instabilidade, mas novas tempestades podem retornar a partir de quarta-feira (22).