Super El Niño prestes a alcançar intensidade muito forte e NOAA aumenta escala para 8°C
O Pacífico continua aquecendo em um ritmo acelerado e o Super El Niño está prestes a alcançar intensidade muito forte. A bolha de água quente abaixo da superfície é tão intensa que a NOAA precisou aumentar a escala de um gráfico clássico.

A região de monitoramento do El Niño, conhecida como Niño 3.4, registrou +1,8°C de anomalia relativa de temperatura da superfície do mar (TSM) na última semana segundo a NOAA, deixando o Super El Niño 2026-2027 prestes a alcançar a categoria “muito forte”, definida pelo limiar de +2°C.
Apesar de as anomalias absolutas já terem alcançado +2,6°C, elas incluem o aquecimento de fundo dos oceanos, que é descontado no cálculo das anomalias relativas. Nos próximos dias, um pulso da Oscilação Madden-Julian (MJO) está previsto se deslocar pelo Oceano Pacífico, o que deve favorecer um novo aquecimento, fazendo com que o El Niño alcance o patamar de +2°C em breve. Confira os detalhes.
Super El Niño está prestes a alcançar intensidade muito forte
Enquanto a anomalia relativa da semana centrada em 29 de julho foi de +1,5°C, colocando o El Niño na categoria de um evento forte, a última semana registrou um novo aumento de 0,3 °C, levando o Niño 3.4 a +1,8°C.
Com isso, faltam apenas 0,2°C para que o fenômeno alcance oficialmente o patamar de +2°C, utilizado para caracterizar um El Niño muito forte, embora o pico do fenômeno esteja previsto para acontecer entre outubro e dezembro. Enquanto isso, a região Niño 1+2, na costa do Peru, já alcança 3,3°C de anomalia relativa, um valor excepcional.

O aquecimento também chama atenção abaixo da superfície do oceano. Na atualização mais recente, a NOAA ampliou para 8°C o limite máximo da escala utilizada no mapa de anomalias de temperatura subsuperficial, que representa as condições nos primeiros 300 metros do oceano. A mudança evidencia a magnitude das anomalias observadas na chamada bolha de água quente, que ocupa atualmente parte do Pacífico equatorial central e leste.
De acordo com a NOAA, as temperaturas subsuperficiais acima da média se fortaleceram nos últimos dois meses no Pacífico central e leste. Esse calor acumulado abaixo da superfície é particularmente importante para a evolução do El Niño, pois alimentará o aquecimento da superfície nos próximos meses. Aliás, o aquecimento do Pacífico pode receber um novo impulso nas próximas semanas.
Oscilação intrassazonal pode impulsionar novo aquecimento
A Oscilação Madden-Julian (MJO), uma variabilidade intrassazonal da atmosfera tropical que ocorre em escalas de aproximadamente 30 a 60 dias, está prevista para avançar pelo Pacífico Oeste e, posteriormente, pelo Pacífico Central. A previsão atual indica uma reorganização da MJO e sua propagação para leste nas próximas semanas, em uma evolução que pode interagir de forma construtiva com o El Niño e contribuir para sua intensificação.

A MJO é um pulso de convecção que se desloca de oeste para leste e pode provocar importantes variações nos ventos tropicais. Durante sua passagem pelo Pacífico, o enfraquecimento dos ventos de leste pode favorecer a formação de uma onda de Kelvin oceânica, que também se propaga para leste ao longo do equador. Em sua fase quente, essa onda está associada ao downwelling, um movimento que aprofunda a termoclina e aumenta o conteúdo de calor na camada superior do oceano, reduzindo a influência das águas frias que normalmente chegam à superfície.
A onda de Kelvin também pode transportar para leste o calor acumulado abaixo da superfície, favorecendo o aquecimento do Pacífico central e leste. Esse mecanismo é particularmente importante no cenário atual, já que existe atualmente uma grande quantidade de calor armazenada abaixo da superfície, e a possível atuação favorável da MJO pode ajudar a transferir parte dessa energia para a superfície. Com o Niño 3.4 já em +1,8°C, esse mecanismo pode ser importante para que o El Niño ultrapasse o limiar de +2°C nas próximas semanas.