Sequência de massas de ar frio pode atingir o Brasil por várias semanas; entenda

“O inverno está chegando”: temperaturas entre média e abaixo da média devem predominar no centro-sul até junho.


A semana começou gelada de Sul a Norte no Brasil, no primeiro episódio de “friagem” do ano. O termo “friagem” é tradicionalmente definido como uma onda de frio que alcança o sul da Amazônia derrubando as temperaturas. Mais recentemente o termo vem sendo flexibilizado para incluir o avanço de massas de ar frio e queda diária brusca da temperatura máxima no Centro-Oeste.

Previsão de anomalia semanal de temperatura entre 11 e 18 de maio, segundo o ECMWF. Créditos: ECMWF.
Previsão de anomalia semanal de temperatura entre 11 e 18 de maio, segundo o ECMWF. Créditos: ECMWF.

O amanhecer desta segunda-feira (11) foi de apenas 15,4°C em Rio Branco (AC) e por volta dos 10°C em diversas cidades do Mato Grosso. No Mato Grosso do Sul e em São Paulo, temperaturas abaixo de 5°C foram registradas, enquanto as menores mínimas foram abaixo de zero entre o norte do Rio Grande do Sul e o Paraná, com -2°C em General Carneiro (PR).

Para os amantes do inverno, uma notícia boa: o frio pode permanecer no país até, pelo menos, o início de junho, favorecido pelo principal modo de variabilidade extratropical do Hemisfério Sul, a Oscilação Antártica (AAO). Confira os detalhes.

O inverno está chegando

Climatologicamente, maio é o último mês do outono. Com ele, é natural que a circulação atmosférica se assemelhe mais com os padrões do inverno e que as primeiras incursões de ar frio intenso comecem a adentrar no continente.

De acordo com as previsões de anomalias semanais de temperatura do modelo ECMWF, de confiança da Meteored, as próximas semanas serão de temperaturas entre a média e abaixo da média no centro-sul do país, o que pode ser entendido como frio persistente, baseado na climatologia do período.

Previsão de anomalia semanal de temperatura entre 18 de maio e 8 de junho, segundo o ECMWF. Créditos: Elaborado por Meteored/Fonte: ECMWF.
Previsão de anomalia semanal de temperatura entre 18 de maio e 8 de junho, segundo o ECMWF. Créditos: Elaborado por Meteored/Fonte: ECMWF.

Com base nos mapas acima entende-se que o frio começa a perder força gradualmente a partir da próxima semana, em comparação à semana atual. Mesmo assim, a semana entre 18 e 25 de maio deve ser de temperaturas até 3°C abaixo da média entre o Sul, Centro-Oeste, Sudeste e Norte do país.

Na virada do mês, entre 18 de maio e 8 de junho, as temperaturas previstas devem ficar próximas da média climatológica. Ainda assim, considerando a aproximação do inverno (junho), esse padrão favorece a sensação de frio em grande parte do país.

Isso pode ser observado nos mapas abaixo, que mostram a temperatura média climatológica (1991-2020) para maio e junho. Nota-se um avanço das temperaturas mais amenas em direção ao Brasil Central, especialmente sobre o Centro-Oeste e o Sudeste, onde predominam valores entre 20°C e 22°C. No Sul, as médias ficam ainda mais baixas, variando entre 12°C e 18°C.

Temperatura média climatológica (1991-2020) de maio (esquerda) e junho (direita) segundo o INMET. Créditos: Elaborado por Meteored/Fonte: INMET.
Temperatura média climatológica (1991-2020) de maio (esquerda) e junho (direita) segundo o INMET. Créditos: Elaborado por Meteored/Fonte: INMET.

É importante destacar que a temperatura média representa um valor obtido a partir da combinação das temperaturas registradas ao longo dos dias de cada mês. Na prática, isso significa que as temperaturas mínimas durante episódios de ar frio podem ficar bem abaixo desses valores, especialmente durante as madrugadas, enquanto as máximas também podem variar para cima ou para baixo conforme a atuação de massas de ar frio, períodos de maior nebulosidade ou dias mais quentes ao longo do mês.

Além disso, as previsões semanais do modelo ECMWF são atualizadas diariamente, enquanto dados observados são assimilados, então podem sofrer variações nos próximos dias.

Como a Oscilação Antártica favorece a entrada do frio?

A Oscilação Antártica (AAO), também conhecida como Modo Anular Sul, é o principal modo de variabilidade extratropical do Hemisfério Sul. Em termos simples, ela representa mudanças na posição e intensidade dos ventos que circulam ao redor da Antártica, influenciando diretamente o avanço de sistemas frios em direção à América do Sul.

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Nos últimos meses, a AAO permaneceu predominantemente em fase positiva, condição que costuma manter os ciclones mais restritos à Antártica e dificulta o avanço de frentes frias sobre o Brasil. Esse padrão ajudou a favorecer períodos mais secos e quentes sobre parte do centro-sul do país durante o início do outono.

Agora, porém, os modelos indicam uma mudança para a fase negativa da AAO ao longo das próximas semanas. Nessa configuração, os ventos de oeste ao redor da Antártica tendem a enfraquecer e se deslocar ligeiramente para norte, permitindo que cavados, ciclones extratropicais e massas de ar frio avancem com maior facilidade pelo interior da América do Sul.

Previsão do índice diário da AAO, segundo o modelo Australian Community Climate and Earth-System Simulator - Seasonal version 2, do Bureau of Meteorology da Austrália. Créditos: BoM.
Previsão do índice diário da AAO, segundo o modelo Australian Community Climate and Earth-System Simulator - Seasonal version 2, do Bureau of Meteorology da Austrália. Créditos: BoM.

O padrão atmosférico previsto favorece uma sequência de incursões de ar frio até o início de junho, ainda que nem todas sejam tão intensas. Em muitos casos, o efeito deve aparecer na forma de temperaturas persistentemente amenas, maior frequência de madrugadas frias e episódios de queda acentuada da temperatura, especialmente no Sul, Sudeste, Centro-Oeste e até em áreas da Amazônia.

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