Risco de tempestades severas abrange 6 estados nos próximos dias

Suporte de calor e umidade transportados desde a região amazônica aumentam a instabilidade no centro-sul do Brasil com a chegada de uma frente fria nesta quinta (7).
Um ciclone bomba está em desenvolvimento no sul do continente, entre a Argentina e o Uruguai. Os ciclones levam esta denominação quando a pressão atmosférica, medida em hectopascais (hPa), cai 24 hPa em 24 horas, ou seja, possui uma rápida intensificação.
Este ciclone não afetará o Brasil diretamente, mas a frente fria associada a ele irá causar tempestades com potencial de severidade nos três estados do Sul, mas também Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e São Paulo até domingo (10). Confira os detalhes.
Calor e umidade intensificam tempestades
A baixa pressão relacionada ao ciclone funciona como uma âncora na atmosfera, canalizando uma enorme quantidade de vapor d’água (rio atmosférico) da Amazônia em direção ao seu centro.
Essa umidade é trazida via jato de baixos níveis da América do Sul, um corredor intenso de ventos em baixos níveis à leste da Cordilheira dos Andes que também transporta calor, aumentando o contraste térmico entre o ambiente no qual uma massa de ar frio irá chegar.

Calor e umidade são ingredientes importantes para tempestades severas, uma vez que aumentam a instabilidade da atmosfera e favorecem a formação de nuvens verticalmente extensas, com fortes correntes ascendentes (para cima) e conteúdo de gelo (granizo) e água.
As tempestades relacionadas à frente fria terão início ainda na quinta-feira (7) nas regiões de fronteira do Rio Grande do Sul, entre o final da manhã e início da tarde. O maior potencial de severidade será no Oeste (região de Uruguaiana) e Campanha Gaúcha, de acordo com a rodada mais atual do modelo ECMWF, de confiança da Meteored, mas não se descarta a ocorrência de sistemas intensos em toda a metade oeste do território gaúcho até o final do dia.

Entre a noite de quinta (7) e a madrugada de sexta (8), a linha de tempestades terá uma orientação bastante meridional (norte-sul), e se estenderá desde o Sul do Rio Grande do Sul e oeste de Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul.
No decorrer do dia, as tempestades cessam no Rio Grande do Sul, mas continuam atuando mais sobre a metade oeste do Paraná, metade leste de Santa Catarina e, principalmente, no Mato Grosso do Sul, onde há grande potencial de severidade durante toda a sexta-feira (8). Neste estado as chuvas serão intensas e há alerta para acumulados diários de quase 100 mm, com risco de transtornos.

No sábado (9), a frente fria continua organizando tempestades severas que se estendem desde o Mato Grosso (principalmente a região de fronteira e sul do estado), Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina. As tempestades mais intensas devem ocorrer sobre o Mato Grosso do Sul, sul do Mato Grosso e no Paraná.

No Mato Grosso do Sul, novos acumulados diários de quase 100 mm reforçam a severidade das tempestades e elevam os riscos de transtornos, uma vez que 200 mm de chuva estão previstos para 2 dias.
No domingo (10) as tempestades devem perder força, mas ainda podem se formar entre o Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e também São Paulo, enquanto a frente fria alcança a região Sudeste.
Chuvas extremas e acumulados de 200 mm
O rio atmosférico previsto para atuar junto à frente fria irá favorecer chuvas intensas, com potencial de acumulados diários incomuns a extremos, de acordo com o índice de previsão extrema (EFI) do modelo ECMWF.
O EFI ressalta, através de medidas estatísticas, áreas onde a previsão diária de acumulados de chuva é muito diferente do que normalmente ocorre em uma determinada região, utilizando quantil 99 como referência.

Os maiores acumulados de chuva previstos entre quarta (6) e domingo (10) estão sobre o Mato Grosso do Sul, onde os volumes podem ultrapassar 200 mm, como uma soma de sexta e sábado.
Entre o Paraná e a faixa leste de Santa Catarina, volumes acumulados entre 100 e 160 mm estão previstos. A região de fronteira do Rio Grande do Sul, uma vez que o modelo pode estar subestimando a chuva ou errando a posição dos maiores acumulados sobre o Uruguai.

Os volumes previstos para os próximos quatro dias têm potencial para causar transtornos relacionados a alagamentos, inundações e transbordamentos de córregos.
A população e as autoridades devem estar em alerta, a fim de que os impactos sobre moradores de áreas de risco sejam minimizados.
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