NOAA aumenta para 81% a chance de um El Niño muito intenso
O El Niño 2026/2027 se encaminha para entrar na história: a NOAA aumentou para 81% a chance de um El Niño muito intenso entre outubro e dezembro. Em relação ao mês anterior, a probabilidade subiu cerca de 20 pontos percentuais.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), por meio do Centro de Previsão Climática (CPC), divulgou nesta quinta-feira (9) uma nova atualização do ENSO Diagnostic Discussion, documento mensal que reúne as previsões oficiais para a evolução do El Niño-Oscilação Sul (ENSO).
O destaque desta edição é o aumento nas chances de um El Niño muito intenso durante o pico do evento. A probabilidade de que a anomalia da temperatura da superfície do mar (TSM) no Pacífico equatorial ultrapasse 2°C entre outubro e dezembro subiu para 81%, reforçando a expectativa de um dos eventos mais intensos já registrados.
Probabilidades de um El Niño muito intenso continuam aumentando
As maiores mudanças ocorreram justamente durante o trimestre em que o fenômeno atinge sua máxima intensidade. Em relação à atualização de junho, a NOAA elevou em cerca de 20 pontos percentuais a probabilidade de um El Niño muito intenso entre outubro e dezembro.

Além disso, praticamente desapareceu a possibilidade de um evento apenas moderado durante esse período, indicando que a agência considera um aquecimento extremo do Pacífico equatorial como o cenário mais provável.
Embora o aumento chame atenção, ele não representa uma mudança brusca na expectativa para o fenômeno. Desde os últimos meses, tanto as observações do oceano quanto as previsões dos principais modelos climáticos vêm indicando uma rápida intensificação do El Niño.

A atualização de julho apenas reforça esse cenário, refletindo a maior confiança dos especialistas de que o evento atingirá intensidade excepcional durante a primavera e o início do verão no Hemisfério Sul. Outro ponto importante que merece sempre ser ressaltado é a mensagem que a própria agência coloca junto do gráfico:
Em outras palavras, os impactos regionais não aumentam de forma linear à medida que a temperatura do Pacífico sobe. Um El Niño mais intenso aumenta a confiança nos padrões climáticos típicos associados ao fenômeno, mas não garante que eles ocorrerão com a mesma intensidade em todas as regiões.
Como a NOAA calcula essas probabilidades?
As probabilidades divulgadas pelo CPC/NOAA não são obtidas simplesmente pela média dos modelos numéricos. A previsão oficial é elaborada por uma equipe de especialistas que combina as informações de diversos modelos climáticos, observações por satélite, medições de bóias oceânicas, reanálises atmosféricas e oceânicas, além do estado atual do sistema oceano-atmosfera no Pacífico tropical.
A partir dessa avaliação, é construída uma distribuição de probabilidades para a evolução do fenômeno, que é dividida em diferentes categorias de intensidade. Um El Niño é classificado como “muito forte” - ou Super El Niño, na linguagem popular - quando as anomalias superam 2°C.
Mas o que realmente chama atenção nessas probabilidades?
À medida que o evento evolui, probabilidades elevadas para um El Niño muito intenso deixam de ser exatamente uma surpresa. As condições observadas no oceano e na atmosfera, somadas ao consenso entre os principais modelos climáticos, já indicavam há alguns meses que esse seria o cenário mais provável. Isso vem sendo discutido reiteradamente pelo time da Meteored.
Embora ambos sejam calculados a partir da TSM na região Niño-3.4 em relação à mesma climatologia (atualmente, 1991-2020), o RONI desconta o aquecimento médio de todos os oceanos tropicais. Na prática, esse ajuste remove parte do aquecimento de fundo associado às mudanças climáticas.

Com isso, os episódios de El Niño tendem a apresentar anomalias menores no RONI do que no ONI, enquanto os episódios de La Niña tendem a apresentar anomalias relativamente mais negativas. Nas últimas décadas, a diferença entre o RONI e o ONI tem variado tipicamente entre 0,3°C e 0,7°C.
Isso significa que um evento com RONI superior a 2°C deverá corresponder a um ONI ainda mais elevado. Caso essa diferença permaneça próxima dos valores observados recentemente, as anomalias absolutas do ONI poderão se aproximar (ou ultrapassar) 3°C, reforçando a expectativa de um dos El Niños mais intensos já registrados.