Como será o clima em julho diante do risco de El Niño forte?

O fortalecimento do El Niño deve modificar o padrão típico do inverno no Brasil em julho. Veja onde deve chover mais, quais regiões terão calor acima da média e onde o frio ainda deve marcar presença.

O segundo mês do inverno meteorológico deve combinar episódios de frio no centro-sul com mudanças no padrão de chuva influenciadas pelo fortalecimento do El Niño.
O segundo mês do inverno meteorológico deve combinar episódios de frio no centro-sul com mudanças no padrão de chuva influenciadas pelo fortalecimento do El Niño.

Julho representa o segundo mês do inverno meteorológico. Climatologicamente, as chuvas aumentam na região Sul, no litoral do Nordeste e na metade norte da região Norte, enquanto o Brasil central tem sua estação seca. As temperaturas são mais baixas em todo o centro-sul, com os menores valores sobre as regiões Sul, e Sudeste.

Normais climatológicas (1991-2020) para precipitação, temperatura mínima e máxima no Brasil. Créditos: INMET.
Normais climatológicas (1991-2020) para precipitação, temperatura mínima e máxima no Brasil. Créditos: INMET.


Com os principais modelos climáticos de previsão do El Niño indicando que a categoria forte, com anomalias superiores a +2°C podem ser alcançadas ao longo do mês de julho, surge a dúvida: o padrão climático típico de julho será mantido ou começará a sofrer alterações? Confira a seguir como será o clima no Brasil ao longo do mês.

Previsão de chuva e de temperatura

O modelo ECMWF, de confiança da Meteored, prevê chuvas acima da média no centro-sul do Brasil e também na metade sul da região Norte, enquanto chuvas abaixo da média devem se concentrar no extremo norte do país e também na faixa leste entre o Nordeste e metade norte do Sudeste. No Brasil central, a previsão de chuvas dentro representa, segundo a climatologia, poucas chuvas.

As maiores anomalias positivas de precipitação estão previstas para ocorrer entre Santa Catarina e o Paraná, com desvios que podem superar 50 mm acima da média, podendo fazer com que os totais mensais se aproximem ou ultrapassem 300 mm.

Previsão anomalia de chuva (mm) para o mês de julho, segundo o ECMWF.
Previsão anomalia de chuva (mm) para o mês de julho, segundo o ECMWF.

Em contrapartida, as anomalias negativas de até 50 mm previstas para o extremo norte do país podem reduzir os acumulados mensais para valores inferiores a 300 mm.

Esse contraste pode ser suficiente para inverter o padrão climatológico de julho, deslocando os maiores volumes de chuva do mês da Amazônia para a região Sul do Brasil. Como discutido no próximo tópico, este padrão está relacionado ao fortalecimento do El Niño.

Em relação às temperaturas, a previsão indica valores acima da média na metade norte do país, com os maiores desvios positivos (de até 2°C) entre a metade norte do Sudeste e o Nordeste, favorecidos pelo padrão mais seco previsto para essas regiões.

Previsão anomalia de temperatura (°C) para o mês de julho, segundo o ECMWF.
Previsão anomalia de temperatura (°C) para o mês de julho, segundo o ECMWF.

Já entre as regiões Sul, Centro-Oeste e o sul do Sudeste, as temperaturas devem permanecer próximas da média climatológica. Como julho é um dos meses mais frios do ano nessas áreas, isso significa que ainda são esperadas condições típicas de inverno, com episódios de frio.

No entanto, é importante destacar que, embora o padrão mais chuvoso no Sul deva persistir durante praticamente todo o mês de julho, o frio não deverá ser constante. A previsão indica alternância entre períodos de temperaturas abaixo ou próximas da média e outros mais quentes, com temperaturas acima da média, refletindo a passagem sucessiva de massas de ar frio intercaladas por intervalos de aquecimento.

A influência do El Niño

Segundo dados da NOAA, na última semana o El Niño atingiu uma anomalia de +1,2°C na região de monitoramento Niño 3.4. Enquanto isso, anomalias próximas de +2°C já são observadas na porção leste dessa região, avançando gradualmente em direção ao centro do Pacífico equatorial, como destacado nas imagens abaixo.

Condições recentes observadas no Oceano Pacífico. Créditos: Adaptado de CPC/NOAA.
Condições recentes observadas no Oceano Pacífico. Créditos: Adaptado de CPC/NOAA.

A atmosfera já vem respondendo ao aquecimento observado desde abril. Com a expectativa de que as anomalias superiores a 2°C se consolidem sobre o Pacífico equatorial em julho, espera-se também um fortalecimento do jato subtropical.

Previsão de anomalia de temperatura da superfície do mar para julho, segundo o ECMWF. Créditos: ECMWF.
Previsão de anomalia de temperatura da superfície do mar para julho, segundo o ECMWF. Créditos: ECMWF.

Essa mudança na circulação atmosférica é consistente com a previsão de chuvas acima da média sobre a região Sul do Brasil, pois favorece a atuação mais frequente e persistente de sistemas meteorológicos que produzem chuva.