Ciclone será subtropical e deixa alerta de chuvas extremas para 8 estados nesta semana
Ciclone subtropical se forma na costa do Sudeste e deve trazer volumes extremos de chuva, risco de tempestades e muitos transtornos relacionados a alagamentos, enchentes e deslizamentos de terra.

Um ciclone subtropical em formação no Atlântico Sul, na costa do Sudeste do Brasil, deve intensificar a instabilidade atmosférica ao longo dos próximos dias, deixando alertas de uma sequência de, pelo menos, 6 dias com chuvas extremas, especialmente na faixa leste do país.
Estão previstas tempestades intensas e há um elevado risco para transtornos como alagamentos, enchentes e deslizamentos de terra em diversos estados. A seguir, entenda o que é um ciclone subtropical e confira as áreas afetadas.
O que é um ciclone subtropical?
Os ciclones são centros de baixa pressão atmosférica e podem ser classificados em três tipos principais:
- Tropicais, como furacões: estrutura vertical quente em baixos, médios e altos níveis
- Extratropicais, associados às frentes frias: estrutura vertical podendo estar sobre águas quentes ou frias, mas com ar frio em médios e altos níveis
- Subtropicais, sistemas híbridos: se formam sobre águas quentes, possuem um núcleo quente, mas ar frio em altos níveis
Os subtropicais são considerados sistemas híbridos porque combinam dos ciclones tropicais e extratropicais.
![Diagrama de classificação de ciclones (Cyclone Phase Space, Hart [2003]). No canto superior esquerdo mostra a rota do ciclone de seu surgimento (A) à sua dissipação (Z). Créditos: Luiz Felippe Gozzo (UNESP). Diagrama de classificação de ciclones. No canto superior esquerdo mostra a rota do ciclone de seu surgimento (A) à sua dissipação (Z). Créditos: Luiz Felippe Gozzo (UNESP).](https://services.meteored.com/img/article/ciclone-sera-subtropical-e-deixa-alerta-de-chuvas-extremas-para-x-estados-nesta-semana-1772063047742_1024.png)
Estes sistemas não têm uma frente fria associada e, em condições específicas, podem transicionar para um ciclone tropical (furacão). O Furacão Catarina ocorrido em 2004, primeiro furacão registrado no Brasil, evoluiu de um sistema extratropical para subtropical e, então, tropical. No entanto, nem todo ciclone subtropical evolui para um sistema tropical.
Previsão de ciclone subtropical
Os modelos meteorológicos indicam a formação de uma área de baixa pressão na costa do Sudeste que tende a ganhar características híbridas nos próximos dias. Os diagramas de fase do modelo GFS, utilizados para identificar a estrutura térmica dos ciclones, mostram que o sistema possui características típicas de sistemas subtropicais, com núcleo quente.

A trajetória prevista para o sistema indica que seu núcleo deve adentrar ao continente entre sexta-feira (27) e sábado (28), o que pode limitar uma intensificação maior, e então ele se desloca para sudoeste, em direção ao Oceano Atlântico Sul.

Estes sistemas são mais difíceis de serem previstos pelos modelos, justamente pela sua estrutura híbrida. A princípio, não há indícios de que um núcleo quente profundo irá se desenvolver e ‘tropicalizar’ o sistema. Em outras palavras, o sistema não irá evoluir para um furacão, mas é importante continuar monitorando.
Até o momento, o sistema não consta na lista oficial de ciclones nomeados pela Marinha do Brasil, responsável pelo monitoramento e classificação de ciclones subtropicais e tropicais no Atlântico Sul. Ainda assim, a circulação associada ao sistema é suficiente para organizar áreas persistentes de instabilidade sobre o continente.
Alerta de perigo: dias consecutivos de chuvas extremas
O índice de previsão extrema (EFI) do modelo ECMWF para a precipitação ressalta áreas onde a previsão de volume diário de chuva difere (e muito) do que normalmente acontece em determinada região.
Ele classifica áreas com chuvas incomuns (entre 0,5 e 0,8) e chuvas extremas (entre 0,8 e 1). Essas áreas são destacadas pelas cores em laranja e vermelho nos mapas abaixo, especialmente quando estão dentro de contornos pretos (que indicam maior confiança).
Nota-se que entre 26 de fevereiro e 3 de março estão previstas chuvas incomuns a extremas em uma grande área do país, englobando as regiões Sul, Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste.

As chuvas podem ocorrer na forma de tempestades intensas com risco de granizo. As rajadas de vento associadas ao ciclone no continente podem alcançar ou superar os 70 km/h, com potencial de danos, especialmente em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e Goiás entre sexta (27) e sábado (28).

O volume de chuva previsto até o final de segunda-feira (2) se aproxima ou ultrapassa 200 mm em diversos estados (Tocantins, Goiás, Bahia, Minas Gerais e São Paulo), como indicado em rosa escuro no mapa acima.
Na região de Ubá (MG), fortemente afetada pelas chuvas do início da semana que já deixam 47 mortos e 20 desaparecidos, novos acumulados de 100 mm estão previstos. Em um solo encharcado e com a comunidade fragilizada, os riscos de novos deslizamentos de terra são elevados, e as autoridades precisam se mobilizar para remover a população das áreas de risco.