Chuvas irregulares vão continuar no Sul; saiba o porquê e quando podem retornar
A Região Sul vem sofrendo com chuvas irregulares e abaixo da média desde janeiro.

A precipitação na Região Sul do Brasil foi irregular ao longo do verão de 2025/2026. O mês de dezembro de 2025 contou com anomalias positivas de precipitação em grande parte dos três estados, devido a eventos extremos de precipitação que causaram diversos transtornos.
Ao longo de janeiro de 2026, uma extensa área com precipitação abaixo da média foi observada de norte a sul na faixa central do país. Já em fevereiro, enquanto as chuvas ganharam força no Brasil Central, a Região Sul teve o déficit hídrico agravado.

A seguir, entenda o papel da Oscilação Antártica sobre o padrão de precipitação irregular e abaixo da média observado na Região Sul e saiba quando este padrão deve mudar, com a volta das chuvas regulares.
O papel da Oscilação Antártica
A Oscilação Antártica (AAO), também conhecida como Modo Anular Sul, tem um papel relevante no padrão de precipitação observado desde janeiro. A AAO é o principal modo de variabilidade extratropical do Hemisfério Sul. Sua fase positiva é caracterizada por anomalias negativas de altura geopotencial sobre a Antártida e anomalias positivas ao redor, em torno da latitude de 45°S.
A estrutura da fase positiva é mostrada na na figura abaixo, juntamente com as condições observadas da AAO desde novembro de 2025 até março de 2026, além com a previsão para as próximas duas semanas. Nota-se que a AAO tem sido positiva/neutra desde meados de dezembro de 2025, e a previsão indica que isso deve continuar nas próximas semanas.
De forma simples, isso significa que durante a fase positiva da AAO as pressões ficam relativamente mais baixas sobre a Antártida e mais altas nas latitudes médias do Hemisfério Sul. Esse contraste fortalece um “anel” de ventos de oeste ao redor do continente antártico, fazendo com que frentes frias e ciclones tendam a permanecer mais ao sul.

Diversos estudos científicos mostram que a fase positiva da AAO tende a influenciar diretamente o regime de chuvas no sul da América do Sul. De forma geral, essa fase está associada a anomalias negativas de precipitação sobre o sul do continente, incluindo o Uruguai, o norte da Argentina e o Sul do Brasil.
Ao mesmo tempo, áreas mais ao norte e sudeste do Brasil podem apresentar um sinal oposto ou mais variável, com episódios de chuva associados à atuação de sistemas típicos do verão, como a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). A intensidade desses efeitos, no entanto, pode variar de mês para mês, pois a resposta da precipitação depende também da interação com outros sistemas atmosféricos que atuam na região.
Quando as chuvas regulares voltam?
De acordo com o modelo de confiança da Meteored, o ECMWF, este padrão de chuvas irregulares e abaixo da média na Região Sul deve permanecer até, pelo menos, a segunda semana de abril.
Isso pode ser visto nos mapas de previsão de anomalia semanal de chuva abaixo. Neles, cores em verde representam chuvas acima da média, em laranja abaixo da média e em branco chuvas dentro da média, o que, neste contexto, representa um regime de chuvas mais regular.

Contudo, alguns pontos devem ser destacados:
- Primeiro, chuvas abaixo da média não significam ausência total de precipitação, mas sim volumes menores que o esperado para o período;
- Segundo, embora a tendência indique precipitação dentro do normal em grande parte da Região Sul a partir da segunda semana de abril, entre os dias 13 e 20 de abril a faixa leste da região ainda pode apresentar chuvas abaixo da média, sugerindo que essa mudança de padrão ainda não deve ser definitiva;
- Terceiro, essas previsões são atualizadas diariamente e podem sofrer ajustes ao longo dos próximos dias, o que torna necessário o monitoramento contínuo.
Espera-se que, com o estabelecimento de um evento El Niño nos próximos meses, as chuvas retornem de forma regular e acima da média na Região Sul a partir de Maio, com aumento mais expressivo em Junho e Julho.