Chuvas intensas em SC ameaçam o transplantio da cebola; safra ocupa 17,4 mil hectares
Tempestades com chuva intensa, rajadas e granizo alcançam Santa Catarina durante a implantação da cebola, ameaçando transplantio, pulverizações e entrada de máquinas na safra projetada em 17,4 mil hectares e 576,4 mil toneladas no estado.

Tempestades avançam sobre Santa Catarina entre esta sexta-feira (7) e sábado (8), com chuva intensa em intervalos curtos, rajadas e possibilidade de granizo. A mudança alcança áreas produtoras de Ituporanga, Rio do Sul e Alfredo Wagner, durante a implantação de uma safra de cebola projetada em 17.382 hectares e 576.395 toneladas. Trigo e outras culturas de inverno também ficam expostos à paralisação dos trabalhos.
O problema imediato não é uma perda já confirmada, mas o fechamento da janela operacional. Chuva forte pode elevar rapidamente a umidade do solo, impedir o trânsito de tratores e interromper transplantio, adubação e pulverizações. No Paraná, núcleos localizados podem somar de 150 a 200 milímetros até segunda-feira (10); em Santa Catarina, a irregularidade exige acompanhamento por município e por talhão.
Temporal encontra implantação em andamento no Alto Vale
O levantamento da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina – Epagri divulgado em julho indicava 55% da área catarinense de cebola implantada. Esse percentual provavelmente avançou e não representa a situação exata desta sexta-feira, mas confirma que a frente fria encontra viveiros, mudas recém-transplantadas e áreas ainda em preparo. Ituporanga reúne 8.058 hectares projetados, Rio do Sul soma 1.632 hectares e Tabuleiro, 3.256 hectares.

A entrada de máquinas em solo sem suporte pode compactar linhas, formar sulcos e prejudicar o estabelecimento das raízes. Em mudas recentes, o excesso de água reduz a aeração do solo e pode atrasar o pegamento, sobretudo em baixadas e terrenos com drenagem lenta. Granizo e rajadas acrescentam risco físico às folhas, mas danos e replantio somente poderão ser definidos após inspeções em Ituporanga, Aurora e Alfredo Wagner.
Chuva curta pode fechar acessos e atrasar operações
O cenário regional é desigual: os volumes de 150 a 200 milímetros estão projetados para núcleos do Paraná, e não para toda Santa Catarina. Ainda assim, chuva concentrada entre sexta e sábado pode saturar pontos de Ituporanga, Rio do Sul e Alfredo Wagner sem produzir acumulados homogêneos. Por isso, o planejamento deve combinar previsão horária, drenagem e condição real de cada estrada rural.

- Ituporanga: 4.500 hectares municipais projetados exigem prioridade para áreas baixas e acessos frágeis.
- Alfredo Wagner: 3.100 hectares previstos podem ter o transplantio suspenso se o solo perder suporte.
- Rio do Sul: 1.632 hectares na microrregião pedem inspeção de canais após pancadas intensas.
- Tabuleiro: 3.256 hectares projetados requerem separação entre talhões drenados e áreas encharcadas.
A interrupção ganha peso econômico porque a área estadual caiu 9,1% ante os 19.120 hectares da safra anterior. A produtividade projetada subiu 0,6%, para 33.160 quilos por hectare, mas depende de implantação uniforme e manejo no momento correto. Em junho, a cebola foi negociada no atacado a R$ 4,26 por quilo, alta de 10% em um mês e de 28% em um ano.
Manejo deve recomeçar somente após avaliação do solo
Depois do pico entre sexta e sábado, a chuva mais persistente tende a se concentrar no Paraná até segunda-feira. Isso não garante acesso imediato em Santa Catarina: Ituporanga, Rio do Sul e Alfredo Wagner podem manter estradas e talhões úmidos mesmo com a redução das pancadas. Antes de retomar tratores, o produtor deve verificar marcas de afundamento, drenagem e estabilidade dos canteiros.
Pulverizações precisam respeitar vento, intervalo sem chuva e rótulo do produto; adubação e transplantio devem aguardar suporte suficiente para evitar compactação. Canais podem ser desobstruídos apenas em condição segura, sem equipes expostas a trovoadas. Como a safra envolve 52 municípios, contra 56 no ciclo anterior, decisões devem ser locais. Replantio ou mudança de manejo exige vistoria e orientação agronômica após o temporal.