Semana quente e mais seca no centro-leste do país

Embora as chuvas de verão estejam sendo localmente fortes e volumosas em algumas cidades, elas têm sido bastante isoladas. Isso pode implicar em problemas futuros com relação a energia elétrica e disponibilidade de água para consumo.

Temperaturas seguirão altas em grande parte do país.

Já é do conhecimento de todos que janeiro tem sido muito quente e com chuva abaixo da média na maior parte do Brasil. Este mês corresponde ao período preferencial de formação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), mas o fenômeno ainda não foi observado em 2019.

A ZCAS é o principal sistema precipitante da estação chuvosa, sobretudo nas regiões centro-oeste e sudeste. Sua formação depende da configuração atmosférica de grande escala, sendo influenciada tanto por fatores regionais como remotos. A ausência da ZCAS gera inúmeros impactos, como a queda do nível de água nos reservatórios utilizados para geração de energia hidrelétrica e consumo por exemplo.

O forte calor dos últimos dias foi responsável por um novo recorde no consumo de energia elétrica. De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), no dia 16 de janeiro, a demanda máxima no sistema interligado chegou a 87.000 megawatts, superando os 85.708 megawatts em 5 de fevereiro de 2014, ano em que o verão também foi marcado por altas temperaturas e pouca chuva.

Atualmente, os dias quentes e a chuva irregular se devem a um padrão de bloqueio que impera no país desde dezembro de 2018. Esse bloqueio é caracterizado por uma zona de alta pressão que tem oscilado sua posição e intensidade nas últimas semanas entre o centro-leste brasileiro e o oceano Atlântico Sudoeste.

Mas de que forma a alta de bloqueio contribui no aumento da temperatura do ar? Basicamente se deve a combinação entre dois efeitos, os ventos de norte (quentes) e a redução de nuvens no céu. Enquanto os ventos de norte direcionam ar mais quente de origem tropical para as terras localizadas mais ao sul, a menor cobertura de nuvens facilita uma maior incidência dos raios solares na superfície terrestre. A sinergia entre esses efeitos, somado a fatores locais como a urbanização potencializam o aumento das temperaturas.

Os modelos de previsão de tempo ainda sugerem a permanência do bloqueio durante os próximos dias. No GIF abaixo, é possível identificar um novo núcleo de circulação anticiclônica se propagando do oceano em direção ao Brasil. Com essa configuração atmosférica persistindo, a precipitação que poderia ser gerada em grande escala através de sistemas meteorológicos como frentes frias, ZCAS, baixas pressões e cavados, continua sendo ausente no centro-leste do país. É importante lembrar que, mesmo na presença do bloqueio, as condições locais de calor e umidade ao longo da semana podem ser fortes o suficiente para formar trovoadas, ainda que isoladas.