Safra em marcha: o que o último boletim da Conab revela sobre plantio, clima e risco no campo
O novo acompanhamento da Conab mostra safra em ritmo firme: plantio acelera com a volta das chuvas, mas há risco de temporais e replantios localizados. Veja como isso afeta janelas, manejo e decisões no campo nesta semana.

A Conab divulgou seu monitoramento mais recente das condições das lavouras e trouxe um retrato útil para quem vive do agro e para quem acompanha a economia do país. Em linhas gerais, o plantio avança em ritmo firme, puxado por soja e milho, enquanto arroz e feijão seguem em progresso regionalizado.
A combinação entre ritmo de semeadura e qualidade do tempo nesta fase define o potencial de produtividade e os custos de quem está no campo. O boletim ajuda a organizar decisões de manejo, escalonar operações e até planejar replantios onde as chuvas ou o calor falharam no começo da estação.
Plantio e desenvolvimento: quem puxa a fila
A soja segue liderando a safra, com mais da metade da área já semeada no país e tendência de conclusão acelerada em estados como Mato Grosso. No Paraná, o quadro é majoritariamente positivo, ainda que algumas áreas tenham exigido replantio após eventos de chuva intensa e granizo. No Matopiba, a volta das precipitações liberou o avanço do maquinário, reduzindo o atraso inicial causado por veranicos de outubro.

O milho 1ª safra também ganhou fôlego com o retorno das pancadas mais regulares, especialmente em Minas e Mato Grosso do Sul. No Sul, há quadros contrastantes: áreas implantadas cedo no Rio Grande do Sul já florescem com bom potencial, enquanto núcleos atingidos por temporais relatam perdas localizadas por vento e granizo. Arroz e feijão evoluem de forma mais desigual, refletindo tanto a diversidade climática quanto as escolhas de calendário de plantio por região.
Alertas da semana
O mapa de chuva da semana indica padrão “vai e vem”: janelas de tempo mais firme em parte do Sudeste, pancadas irregulares no Centro-Oeste e retorno de instabilidades no Sul.
Para transformar o boletim em ação, vale observar:
- No Sul, risco de temporais e granizo em picos do período; redobre o monitoramento e proteja áreas sensíveis.
- Em São Paulo e no centro-sul de Minas, a janela mais seca no meio da semana favorece dessecação pré-plantio e aplicações.
- Em Mato Grosso e Goiás, chuvas isoladas e por vezes pontuais pedem olho vivo no ponto de umidade do solo antes de semear.
- No MS, volumes mais altos no final da semana podem exigir reprogramar operações mecanizadas.
- No Matopiba, a retomada de precipitações sustenta o avanço, mas com variabilidade: ajuste o calendário talhão a talhão.
O que muda para a safra nas próximas semanas
O quadro é, no geral, construtivo para a safra: soja e milho avançam, e a umidade do solo tende a manter o estabelecimento das plantas em níveis confortáveis em boa parte do Centro-Sul.
A exceção fica com bolsões de instabilidade forte no Sul, que podem gerar replantios pontuais, custo extra que precisa ser pesado contra o benefício de manter o calendário técnico em dia.
Em termos de impacto, os resultados do acompanhamento reforçam três mensagens-chave: a importância de escalonar a semeadura para diluir riscos; o valor de acompanhar previsões locais de curtíssimo prazo para “capturar” janelas de aplicação; e a necessidade de registrar perdas e intervenções para dialogar com o seguro rural e os fornecedores.

Para o consumidor e o mercado, um plantio bem conduzido agora é sinônimo de maior previsibilidade lá na frente, em preço, oferta e qualidade. Em síntese: o boletim não é só termômetro da lavoura; é bússola de decisões num começo de temporada que promete, mas que seguirá sob a batuta do céu.
Referência da notícia
Acompanhamento das Lavouras - 03/11 a 09/11/25. 10 de novembro, 2025. CONAB.