Onda de calor: temperaturas altas no Paraná traz preocupação para feijão segunda safra
A previsão de calor intenso no Paraná no fim de março acende alerta para o feijão da segunda safra, sobretudo no oeste e sudoeste, onde altas temperaturas e pouca umidade podem afetar flores, vagens e produtividade.

O calor intenso previsto para o fim de março e o começo de abril no centro-sul do Brasil acende um sinal de atenção no campo, especialmente no Paraná. Entre os cultivos mais sensíveis neste momento está o feijão, alimento básico da mesa do brasileiro e cultura que pode sentir o impacto justamente em uma fase delicada do desenvolvimento.
Como o feijão é um alimento básico no Brasil, episódios de calor intenso em áreas produtoras costumam acender um alerta que vai além do campo. Dependendo da duração e da intensidade do estresse sobre a lavoura, os reflexos podem aparecer mais adiante na oferta e nos preços. Em culturas mais sensíveis, alguns dias seguidos de temperatura elevada e pouca umidade já são suficientes para comprometer etapas importantes do desenvolvimento.
Calor chega em momento delicado para a lavoura
No Paraná, a segunda safra de feijão já vinha avançando com sinais de desigualdade entre as regiões. Em fevereiro, a Conab apontou que o oeste e o sudoeste do estado enfrentavam chuvas escassas, baixa reserva de água no solo e temperaturas elevadas, impondo estresse às áreas recém-implantadas. Mais recentemente, o Cemaden reforçou esse diagnóstico ao relatar que, nessas mesmas áreas, o estresse térmico e hídrico vinha causando irregularidade no estande de plantas.

Esse é o tipo de combinação que preocupa porque não depende apenas de uma máxima alta em um único dia. Quando o calor se prolonga e encontra solo com menos umidade, a planta passa a trabalhar sob maior pressão justamente em uma fase em que precisa formar flores, fixar vagens e sustentar o enchimento dos grãos. É por isso que alguns dias de temperatura acima do normal podem pesar mais do que parecem à primeira vista.
O que o calor pode causar no feijão
O zoneamento agrícola do MAPA para o feijão no Paraná é bastante direto ao tratar da sensibilidade térmica da cultura. O documento informa que temperaturas superiores a 35°C durante a floração podem reduzir significativamente o rendimento e destaca que o calor excessivo, principalmente quando vem acompanhado de deficiência hídrica, prejudica o florescimento e a frutificação.
Entre os efeitos mais esperados em uma semana como esta, estão:
- queda de flores antes da formação das vagens;
- menor número de vagens por planta;
- falhas no vingamento e no enchimento dos grãos;
- lavouras mais desuniformes onde o solo já vinha com pouca água.
Previsão, campo e bolso: por que esta semana importa
Nem toda área vai responder do mesmo jeito ao episódio de calor. Lavouras com melhor umidade no solo, semeadura mais bem posicionada ou manejo mais ajustado podem atravessar esses dias com perdas limitadas. Mas em talhões mais frágeis, sobretudo no oeste e sudoeste paranaense, o risco é de resposta rápida, com impacto no estande, na formação das vagens e no potencial produtivo da segunda safra.
Quando o clima aperta sobre regiões produtoras, a tensão não fica só no campo. Ela pode se refletir na oferta, no ritmo da colheita e, mais adiante, nos preços. Ainda é cedo para falar em quebra ampla, mas a previsão de temperatura para esta virada de março mostra como alguns dias de calor forte já bastam para colocar uma cultura estratégica sob observação.