Milho safrinha enfrenta falta de chuva no Paraná e em Mato Grosso do Sul
O milho safrinha começou abril sob pressão no Paraná e em Mato Grosso do Sul, onde menos chuva, calor persistente e atraso de plantio elevaram o risco de estresse hídrico e reforçaram o alerta no campo.

O milho safrinha chegou a abril com um problema que o produtor conhece bem, mas que ganha peso quando aparece na fase errada: menos chuva do que o esperado e calor suficiente para acelerar a perda de água do solo. No novo 7º levantamento da safra 2025/26, divulgado pela Conab nesta terça-feira (14), a segunda safra de milho aparece como um dos pontos mais sensíveis do momento, especialmente no Paraná e em Mato Grosso do Sul.
O alerta importa porque não se trata só de previsão distante. A Conab informa que algumas áreas desses dois estados já registraram falta de chuva e até sintomas de déficit hídrico em talhões da safrinha. Quando o clima aperta em polos tão relevantes, o mercado e o campo prestam atenção ao mesmo tempo.
O problema já apareceu no campo
Na análise climática do boletim, a Conab aponta que março teve chuva mais baixa em partes do Sul e do Centro-Oeste, com redução da umidade do solo no sul e oeste de Mato Grosso do Sul e também no oeste do Paraná. No caso paranaense, o texto é direto ao afirmar que essa condição já causou restrição hídrica em algumas lavouras de milho segunda safra.

Na parte específica da cultura, o diagnóstico fica ainda mais claro. No Paraná, a transição para o outono veio com redução gradual das chuvas e manutenção de temperaturas elevadas, cenário que exigiu cautela no cultivo. A Conab relata que o atraso no plantio elevou o risco de estresse hídrico e aumentou a pressão de pragas como a cigarrinha, enquanto áreas do oeste do estado já sentiam os efeitos da falta de água.
Calor, janela apertada e pragas formam uma combinação ruim
O risco não vem de um fator isolado. A safrinha costuma depender de boa regularidade de chuva logo no começo do ciclo e perde margem de segurança quando entra tarde demais no campo. Neste ano, a própria Conab explica que parte do atraso ocorreu por causa do excesso de chuvas em janeiro e fevereiro e pela colheita mais lenta da soja, o que empurrou o calendário em algumas áreas.
Na prática, isso deixa o milho mais exposto a um pacote de problemas que se reforçam entre si:
- menos chuva disponível para sustentar o crescimento inicial;
- temperaturas elevadas, que aumentam a evaporação e o consumo de água;
- plantio fora da janela ideal em parte das áreas;
- maior pressão de cigarrinha e outras pragas;
- necessidade maior de aplicações, elevando o custo do manejo.
O estágio predominante ainda é vegetativo, porém a alta incidência de lagarta Spodoptera já eleva o número de aplicações e os custos do produtor. No Paraná, além da cigarrinha, a perda de umidade se soma ao atraso, deixando o clima menos confortável para consolidar o potencial produtivo.
O que está em jogo nas próximas semanas
Mesmo com esse sinal de alerta, a safra não está definida. A maior parte das áreas do milho segunda safra ainda apresenta boas condições iniciais, e que o país quase concluiu a implantação da cultura, com 99,2% da área estimada já semeada. O ponto central agora é outro: a lavoura entra numa fase em que o clima deixa de ser pano de fundo e passa a influenciar diretamente o teto produtivo.
Isso significa acompanhar chuva, temperatura e sanidade quase no mesmo nível de importância. O recado é simples: o milho safrinha virou uma das culturas mais sensíveis deste meio de abril porque junta área enorme, calendário apertado e risco climático real no Paraná e em Mato Grosso do Sul. Se a chuva falhar mais um pouco e o calor seguir acima do normal, o que hoje é sinal de atenção pode virar perda mais visível adiante.
Referência da notícia
Boletim da safra de graos. 7º Levantamento - Safra 2025/26. 14 de abril, 2026. CONAB.
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