Estiagem no RS: soja aborta vagens no calor e Emater emite alerta
Estiagem e calor no Rio Grande do Sul atingem a soja na fase crítica. A Emater/RS-Ascar relata abortamento de flores e vagens por ar seco e DPV alto; a Conab indica potencial afetado e perdas em apuração.

No Informativo Conjuntural (12/02), a Emater/RS-Ascar relata déficit hídrico com temperaturas elevadas (chegando a 40 °C em áreas das Missões), alta demanda evaporativa e baixa umidade do ar, quadro que já provoca murchamento, senescência precoce e abortamento de flores e vagens, em várias regiões produtoras do Estado.
A Emater/RS-Ascar projeta 6.742.236 hectares de soja no Estado e informa que a produtividade estimada antes do plantio deve ser impactada, com nova rodada de campo na segunda quinzena. A Conab, no 5º levantamento (fevereiro/2026), também aponta redução das chuvas “principalmente” no RS e reconhece que o potencial produtivo já foi afetado, com perdas em apuração.
O que os técnicos estão vendo no campo
O calendário explica a gravidade: 42% da soja está em floração e 39% em enchimento de grãos no RS. Nessa janela, a planta define quantas vagens vai sustentar; quando o estresse aperta, o rendimento cai antes mesmo de a lavoura “parecer perdida”.
Os relatos mostram que a estiagem não é uniforme. As chuvas têm sido irregulares, aumentando a diferença entre talhões: solos com maior retenção de água e boa palhada seguram melhor; solos rasos sofrem mais, e a lavoura sofre mais primeiro nesses pontos.

Na Fronteira Oeste (regional de Bagé), os danos se acentuaram e há registro de perdas de produtividade de até 60% em áreas mais afetadas (caso de Manoel Viana). Em Frederico Westphalen, a redução média projetada chega a 30%, podendo atingir 50% em pontos críticos, com perda de área foliar e abortamento de flores e vagens.
Por que a soja “solta” flores e vagens no calor seco
Quando o ar fica quente e muito seco, aumenta o chamado déficit de pressão de vapor (DPV), que é basicamente a “sede” da atmosfera por água. Nessa condição, o ar passa a retirar mais água das folhas.
Na prática, o agricultor vê três pistas andando juntas:
- folhas murchas nos picos de calor e recuperação parcial à noite;
- queda de flores e vagens jovens (abortamento) e enchimento de grãos mais lento;
- senescência precoce e redução da área foliar, encurtando o período produtivo.
Por isso, parte do dano é irreversível: chuva pode ajudar o que ainda está enchendo, mas não recupera vagens já abortadas.
O efeito direto na produção e na renda
A Emater/RS-Ascar deve atualizar as estimativas na segunda quinzena de fevereiro, incorporando vistorias onde as perdas já estão consolidadas. O período seco também muda o perfil de risco: o informativo aponta menor pressão de doenças fúngicas, mas maior incidência de pragas associadas à estiagem, como ácaros e tripes, exigindo monitoramento e controles pontuais.
No cenário nacional, a Conab ainda trabalha com produção elevada de soja (177,985 milhões de toneladas no 5º levantamento), mas ressalta que a estiagem no RS já afetou o potencial produtivo e que as perdas seriam quantificadas. Para o público geral, o recado é direto: clima extremo na lavoura se traduz em renda, oferta e preços.
Referência da notícia
Informativo cojuntural. 12 de fevereiro, 2026. EMATER-RS.