DNA do café canéfora: 10 marcadores evitam mistura de mudas no Brasil em 2026; entenda
Ler o rótulo nem sempre basta: conilon, robusta e híbridos podem parecer iguais no viveiro. Um estudo com 121 plantas e 1.551 SNPs mostra que 10 marcadores de DNA separam grupos e orientam o melhoramento no Brasil.

Quem compra ou planta café canéfora (Coffea canephora) no Brasil conhece dois nomes: conilon e robusta. No campo e no viveiro, porém, a aparência pode enganar.
Um estudo aceito na Scientific Reports em 2026 indica um atalho: usar o DNA para confirmar a origem do material. Pesquisadores analisaram 121 plantas de um banco de germoplasma no Espírito Santo e, após filtrar 1.551 variações genéticas (SNPs), encontraram um conjunto mínimo de 10 marcadores que separa conilon, robusta e híbridos.
Por que conilon e robusta se confundem
Conilon e robusta têm diferenças conhecidas, porte, folhas, ciclo de maturação e resposta a estresse hídrico e pragas. Só que esses traços variam com ambiente e manejo. E, quando há cruzamentos entre grupos, o “mix” de características pode puxar a aparência para um lado e esconder a origem genética.

No banco avaliado, além de plantas classificadas por descritores morfológicos, havia indivíduos chamados de intermediários. Quando o DNA entrou na análise, muitos intermediários não formaram um bloco único: a maioria se agrupou com conilon, uma parte com robusta e poucos ficaram no meio. Isso sugere que a morfologia separa bem os extremos, mas é menos segura para confirmar híbridos.
O que os SNPs revelaram
Os autores usaram uma genotipagem que gera milhares de SNPs (pequenas diferenças no DNA). Depois dos filtros de qualidade, os 121 indivíduos se organizaram em três perfis genéticos: um grupo robusta, um grupo conilon e um grupo com mistura dos dois, interpretado como híbrido.
A parte mais útil veio na redução do teste. Os pesquisadores selecionaram 29 SNPs candidatos e validaram a abordagem em um painel maior (650 amostras). O resultado: 10 SNPs já bastaram para discriminar os grupos. Na prática, isso sustenta usos diretos como:
- triagem de lotes de mudas no viveiro, evitando misturas;
- verificação de identidade de clones e materiais de banco de germoplasma;
- escolha mais segura de parentais para cruzamentos conilon × robusta;
- rastreio de mistura genética em populações regionais.
Como isso chega ao produtor brasileiro
O ganho não é trocar a experiência do campo por laboratório, e sim evitar erros caros antes do plantio. Se um lote rotulado como conilon carrega forte sinal de híbrido, a expectativa de desempenho e a estratégia de manejo podem mudar. Para programas de melhoramento, o teste ajuda a explorar heterose com mais segurança, porque os parentais ficam melhor definidos.
Um detalhe importante: no estudo, o grupo conilon apresentou baixa diversidade genética, enquanto robusta e, sobretudo, híbridos mostraram maior variabilidade, algo valioso para criar cultivares mais estáveis no Espírito Santo e em outras regiões produtoras.
Mesmo assim, a direção é clara: testes simples podem acelerar a entrega de materiais mais produtivos e mais resilientes ao calor e à seca, enquanto reforçam a conservação da diversidade genética do canéfora.
Referência da notícia
Genomic discrimination of the botanical groups conilon and robusta of Coffea canephora. 16 de Janeiro, 2026. de Oliveira, R.G., de Almeida, F.A.N., Zaidan, I.R. et al.