Chuva de até 200 mm expõe pessegueiros em início de floração no RS
Pessegueiros precoces iniciam a floração em partes do Rio Grande do Sul sob previsão de até 200 mm, vento e possível granizo, combinação que prolonga o molhamento, restringe o manejo regional e expõe flores delicadas até quarta-feira.

Pessegueiros de cultivares precoces começam a florescer em algumas áreas do Rio Grande do Sul quando a previsão indica tempestades entre esta terça-feira (21) e quarta-feira (22). São projetados 100 a 200 mm no período mais crítico, com possibilidade de granizo do Oeste ao leste gaúcho. Pomares de Pelotas, da Serra Gaúcha e da Região Metropolitana exigem atenção; trigo e canola enfrentam excesso de água.
O boletim da Seapi e da Emater/RS-Ascar não generaliza a floração para todo o Estado: relata aumento da abertura de flores, enquanto cultivar, altitude e acúmulo de frio mantêm diferenças importantes.

Onde a fase começou, chuva persistente prolonga o molhamento de flores, limita tratamentos fitossanitários e reduz a atividade de polinizadores. Rajadas e granizo acrescentam risco físico, mas perdas só podem ser confirmadas após vistorias.
Floração encontra chuva extrema entre Pelotas, Serra e Região Metropolitana
Nesta terça-feira (21), a Defesa Civil prevê mais de 120 mm em 24 horas no Norte, Noroeste e Centro, além de 40 a 100 mm na Região Metropolitana, Serra, Vales e Costa Doce. Os acumulados em 48 horas podem chegar a 200 mm. Pelotas, Porto Alegre e Santa Cruz do Sul aparecem na faixa de chuva elevada.

A flor aberta é uma estrutura delicada. Chuva contínua pode lavar pólen, reduzir o voo de abelhas e dificultar a fecundação; ventos intensos aceleram a queda de pétalas e tornam aplicações inseguras.
O efeito final depende do momento da florada: um pomar precoce de Bento Gonçalves pode responder de modo diferente de áreas ainda dormentes em Pelotas ou de cultivares com gemas apenas inchadas em Farroupilha. Chuva durante a floração representa exposição, não quebra de safra comprovada.
Granizo e molhamento elevam pressão nos pomares gaúchos
O risco não vem apenas do volume. Entre o Oeste, Centro e Leste do RS, não se descarta granizo nesta terça-feira; a Defesa Civil indica rajadas que podem superar 90 km/h. Em pomares floridos, pedras de gelo podem remover flores, ferir ramos e abrir portas para infecções.
O manejo deve respeitar as diferenças entre áreas e o intervalo sem chuva exigido por cada produto:
- Pelotas: 40 a 100 mm podem fechar acessos e impedir pulverizações em solos com drenagem lenta;
- Serra Gaúcha: rajadas acima de 90 km/h aumentam deriva e tornam aplicações inseguras em Bento Gonçalves e Farroupilha;
- Região Metropolitana: dois dias de molhamento favorecem pressão sanitária em pomares que já abriram flores;
- Noroeste: mais de 120 mm em 24 horas elevam erosão e encharcamento entre Ijuí, Santa Rosa e Cruz Alta.
Após quarta-feira, vistoria deve separar risco de dano
Na quarta-feira (22), a frente fria mantém instabilidades no Norte e Nordeste gaúcho e desloca chuva para Santa Catarina e Paraná. Mesmo com redução gradual no Oeste e no Sul, o encharcamento pode continuar em Pelotas, Santa Maria e Porto Alegre.
Antes de retomar pulverizações, o produtor deve confirmar sustentação do solo, vento, umidade das plantas e intervalo previsto sem precipitação; decisões sobre fungicidas dependem do histórico, cultivar e orientação agronômica local.

A vistoria precisa registrar o estádio fenológico e o tipo de lesão por talhão. Flores ausentes não provam impacto meteorológico sem comparação com plantas protegidas, e o teto de 200 mm não será uniforme. Em Bento Gonçalves, Farroupilha e Pelotas, convém observar flores, gemas, ramos, drenagem e sinais sanitários antes de reprogramar manejo.