6 plantas mexicanas que revolucionaram o mundo e que você provavelmente usa todos os dias

A seleção agrícola, o conhecimento indígena e a biodiversidade mexicana constituem a base de diversos alimentos que consumimos diariamente e de um avanço farmacêutico significativo.

O México preserva mais de 60 variedades crioulas de milho nativo, adaptadas a ambientes que variam do nível do mar a áreas montanhosas.
O México preserva mais de 60 variedades crioulas de milho nativo, adaptadas a ambientes que variam do nível do mar a áreas montanhosas.

Além de possuir uma impressionante biodiversidade vegetal, o México destaca-se como um dos principais centros mundiais de domesticação de plantas. Povos indígenas observaram, selecionaram e aperfeiçoaram espécies silvestres, transformando-as em culturas produtivas, saborosas e de fácil colheita.

Esse processo era uma forma primitiva de melhoramento genético; era realizado sem laboratórios, mas exigia amplo conhecimento de agronomia.

Embora as origens biológicas de uma planta possam estar em uma região específica, sua domesticação ou diversificação é outra questão. Por exemplo, enquanto o cacau, as pimentas e os tomates possuem parentes silvestres na América do Sul, eles adquiriram imensa diversidade agrícola, culinária e cultural na Mesoamérica.

Quando plantas nativas das Américas chegaram à Europa, muitas começaram a ser cultivadas em outros países. Com o tempo, essas plantas também foram incorporadas a novas receitas. Graças a elas, hoje desfrutamos de alimentos como pizza, chocolate e uma grande variedade de pratos asiáticos.

Estas plantas não mudaram apenas a forma como comemos. Algumas também passaram a ser usadas na fabricação de bebidas, cosméticos e remédios. O México abriga uma grande variedade de plantas que são importantes em todo o mundo hoje.

Isso foi possível graças ao trabalho dos povos indígenas e agricultores, que, durante muitos anos, escolheram as melhores sementes e aprenderam a cultivar cada planta. Estas seis espécies mostram como o campo mexicano ajudou a mudar o mundo.

Da milpa mexicana às cozinhas e aos laboratórios de todo o mundo

A primeira espécie desta lista é o milho, domesticado a partir do teosinto há cerca de 9.000 anos. Os primeiros agricultores selecionaram plantas com espigas maiores e grãos mais macios.

Graças a esse esforço, ele se tornou uma das culturas de cereais mais importantes do mundo. O milho que conhecemos hoje é o resultado de milhares de anos de seleção realizada pelos agricultores.

La flor de vainilla solo está receptiva unas cuantas horas, así que la polinización manual tiene que ser súper precisa.
La flor de vainilla solo está receptiva unas cuantas horas, así que la polinización manual tiene que ser súper precisa.

Outra planta que mudou a história foi o cacau. Embora suas origens estejam na região amazônica, na Mesoamérica ele se tornou uma mercadoria de grande valor para os maias e os mexicas.

Suas sementes eram usadas para preparar bebidas e também serviam como meio de troca. Mais tarde, o cacau chegou à Europa, onde foi misturado com açúcar e leite, dando origem ao chocolate moderno.

Há também a baunilha, fruto de uma orquídea trepadeira cultivada há séculos pelo povo totonaca. Na região de Papantla, ela encontrou a umidade, a sombra e o clima ideais para o seu desenvolvimento.

Durante muito tempo, o México foi o principal local de produção. Mais tarde, descobriu-se a polinização manual e o cultivo se expandiu para outros países; no entanto, a baunilha mexicana continua sendo uma das variedades mais valorizadas.

A poinsétia e o cravo-de-defunto — duas plantas nativas do México — tornaram-se plantas ornamentais amplamente comercializadas durante a época do Natal e o Dia dos Mortos. Elas merecem destaque especial por sua importância cultural e popularidade.

A pimenta também viajou das Américas para conquistar o mundo. No México, diferentes variedades foram selecionadas com base no tamanho, sabor, cor e nível de picância. Após o século XVI, ela chegou à Europa, à África e à Ásia, onde se adaptou rapidamente. Hoje, seria impossível imaginar as culinárias da Índia, da Tailândia, da Coreia ou da China sem esse ingrediente.

Algo semelhante aconteceu com o tomate. Suas variedades silvestres originaram-se na região andina, mas seu cultivo e seleção continuaram na Mesoamérica.

O nome "tomate" vem do náuatle 'tomatl', enquanto "chocolate" também tem raízes mesoamericanas.
O nome "tomate" vem do náuatle 'tomatl', enquanto "chocolate" também tem raízes mesoamericanas.

Quando chegou à Europa, despertou desconfiança por pertencer a uma família de plantas que também inclui espécies tóxicas. Com o tempo, tornou-se indispensável e mudou para sempre receitas como pizza, massas italianas e ketchup.

Por fim, há o barbasco, um tubérculo que cresce nas selvas do sudeste do México. A diosgenina — substância base para a fabricação de hormônios no século XX — era extraída dessa planta. Em 1951, o cientista mexicano Luis Miramontes participou do desenvolvimento de um composto utilizado nos primeiros contraceptivos orais.

Um patrimônio vivo que devemos preservar

Essas plantas continuam sendo importantes para o nosso abastecimento de alimentos, para a nossa economia e para muitas indústrias. Portanto, é necessário proteger suas variedades nativas e apoiar aqueles que ainda as cultivam.

A preservação de sementes crioulas também ajuda a enfrentar desafios como secas, pragas e variações de temperatura. O México compartilhou essas culturas com o mundo e, agora, cabe a nós garantir que sua diversidade não desapareça.