Muralha de 15 km no interior de Goiás intriga cientistas: "surgiu antes dos dinossauros desaparecerem"
No interior de Goiás, uma formação rochosa exuberante, de 15 km de extensão, tem décadas de mistérios e teorias sobre a sua construção. Afinal, os cientistas já têm uma resposta? Saiba tudo aqui.

Bem no coração do Brasil, na região central do estado de Goiás, na Serra da Portaria, está localizada a Muralha de Ferro de Paraúna, também conhecida como Muralha de Pedra, uma formação rochosa colossal de cerca de 15 quilômetros de extensão, 1,5 metros de largura e elevando-se em alguns pontos a mais de 2 metros de altura.
Esta estrutura, em meio à natureza exuberante, há décadas intriga historiadores e arqueólogos devido à sua real origem. Como ela surgiu? Descubra tudo aqui.
A misteriosa Muralha de Pedra
A muralha é composta por blocos de basalto negro (ou pedra-ferro) e rochas vulcânicas, dispostos em alinhamento regular, na posição horizontal, e com uma substância escura entre as juntas, “colando” uma pedra na outra.
Essa técnica de construção, aliada ao formato das pedras que lembram degraus, sugere, para alguns pesquisadores, um conhecimento avançado de arquitetura lítica (feita de pedras) que não se espera encontrar no interior do Brasil.
Alguns pesquisadores acreditavam que a estrutura foi construída por povos pré-colombianos como barreira entre territórios, enquanto outros achavam que era uma fronteira entre incas e maias, o que já foi refutado, pois é geograficamente improvável, já que nenhuma dessas civilizações habitou o Cerrado goiano.
Outro mistério que cercou a muralha foi a substância negra que une as juntas. Muitos acreditavam se tratar de óleo de baleia, e então, a estrutura teria sido feita por mãos humanas mesmo.
Mas afinal, qual a sua verdadeira origem?
Segundo geólogos, a construção da muralha se deu de forma natural, através da combinação de vários fatores, ou seja, foi a ação da natureza.
A formação rochosa nasceu de um dos maiores eventos vulcânicos continentais conhecidos, associado à fragmentação do supercontinente Gondwana e à abertura do Oceano Atlântico Sul.
Os fatores em sequência que deram origem à muralha são:
-Derrames basálticos no Período Cretáceo (de 145 a 66 milhões de anos atrás, englobando o período da extinção dos dinossauros): grandes volumes de lava basáltica recobriram extensas áreas do sul e centro do Brasil, formando a base da muralha.
-Fraturamento térmico do basalto: quando essa lava esfriou, ela encolheu e acabou rachando naturalmente, criando as fraturas características chamadas de juntas de resfriamento.
-Fraturas poliédricas no basalto: essas fraturas formaram blocos com vários lados, meio ‘geométricos’.

-Controle estrutural de lineamento geológico: as direções dessas fraturas seguem padrões do próprio terreno, alinhadas em certos sentidos.
-Erosão diferencial: as rochas sedimentares mais frágeis ao redor da muralha foram desgastadas pelo tempo mais rapidamente, enquanto o basalto resistente permaneceu em destaque.
Mas e a substância escura entre as juntas, o que é na verdade? Nada de óleo de baleia. Trata-se de um dique de diabásio, uma rocha que se formou quando o magma derretido preencheu as fissuras da muralha e se solidificou no interior das fendas.
Referências da notícia
A muralha de 15 km no cerrado que parece obra humana, mas tem 130 milhões de anos e origem vulcânica. 05 de abril, 2026. Redação Revista Oeste.
A incrível (e misteriosa) Muralha de Paraúna, em Goiás — afinal, quem a construiu?. 20 de julho, 2024. Redação Mega Curioso.
Muralha construída com pedras vulcânicas e óleo de baleia no meio do Cerrado intriga pesquisadores, em Goiás. 22 de março, 2026. Vinicius Moraes.
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