Onda de calor marinha no Atlântico Norte

Já sabemos que as ondas de calor marinhas estão ficando mais frequentes e longas. O oeste do Atlântico Norte é uma das região mais atingidas por esse fenômeno na última década e o último evento registrado promoveu temperaturas 5°C mais quentes que a média.

Carolina Barnez Carolina Barnez 13 Set. 2018 - 05:12 UTC
Imagem produzida por satélites mostram que temperatura das águas do Oeste do Atlântico Norte estiveram acima da média. Créditos: NOAA Environmental Visualization Laboratory.

Apesar de recente, o termo onda de calor marinha tem se tornado cada vez mais frequente nos noticiários científicos, já que estes eventos são cada vez mais frequentes e persistentes. A última onda de calor marinha registrada no oeste do Oceano Atlântico Norte começou dia 20 de Julho e durou mais de 30 dias. As áreas mais atingidas são as costas da Nova Inglaterra e Leste do Canada, onde as águas ficaram cerca de 5°C mais quentes que a média para a região.

Águas quente na superfície do oceano intensificam a interação ar-mar, promovendo um maior transporte de calor e umidade para a atmosfera. A persistência de águas quentes ao leste da costa dos EUA e Canada nesse verão, por exemplo, contribuíram para recordes de temperatura a noite e altos níveis de umidade. Além disso, águas mais quentes nessa região podem intensificar ciclones extratropicais, promovendo tempo severo.

O Golfo do Maine (EUA), que vai de Cabo Cod até o sul da Nova Escócia, a onda de calor promoveu elevação de temperatura acima dos recordes registrados. No dia 8 de agosto, os satélites mostraram uma média de temperatura de 20,5°C, a segunda maior já registrada (o recorde é de 2012). Essa região é uma das que mais sofre um aquecimento mais acelerado no mundo. Estudos mostram que nos últimos 30 anos, este golfo esquentou 3 x mais rápido que a média global (0.06°C/ano), sendo que nos últimos 15 anos essa taxa aumentou para 7.

Relação com Mudanças Climáticas?

Os cientistas do Instituto de Pesquisa do Golfo do Maine (EUA), responsáveis por esse levantamento, estão tendo que repensar os parâmetros de ondas de calor marinha para a região. Isso porque, segundo a classificação usada globalmente para esse evento, em todos os anos desde 2012 o Golfo do Maine presenciou pelo menos 150 dias dentro dos níveis considerados ondas de calor.

Umas das áreas mais afetadas pelas ondas de calor marinhas é o Golfo do Maine, nos EUA.

Existe evidências de que o aquecimento acelerado no oeste do Atlântico Norte, especialmente no Golfo do Maine, está diretamente associado às mudanças climáticas. O derretimento das geleiras na Groenlândia aumenta a concentração de água mais doce nesta região, comprometendo a circulação oceânica local. Esse processo causa desaceleramento das correntes de superfície do Atlântico Norte e, consequentemente, estagnação das águas mais quentes na região.

Satélites monitorando os oceanos

Satélites são uma ferramenta valiosa para o monitoramento dos oceanos. A temperatura de superfície do mar medida por satélites nos informam quão quente ou frio os primeiros milímetros da superfície do oceano estão. Saber a temperatura da superfície do oceano contribui para a previsão de tempo sazonal e projeções de padrões climáticos, que vão desde informações sobre a próxima estação de furacões até a estimativa de desenvolvimento de fenômenos de grande escala como El-Niño e La-Niña.

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