Novas previsões para a temporada de furacões no Atlântico

Novas projeções e previsões indicam que essa temporada de furacões do oceano Atlântico será menos ativa que o normal, bem diferente das previsões feitas em maio desse ano. Mas quais foram os principais motivos da mudança dessas projeções?

Paola Bueno Paola Bueno 21 Ago. 2018 - 05:21 UTC
Tempestade Chris (a norte) e Beryl (a sul) foram os dois únicos furacões que ocorreram nessa temporada no oceano Atlântico. Fonte: NOAA.

Já se passaram dois meses e meio da temporada de furacões do oceano Atlântico e, felizmente, essa temporada parece bem menos ativa que a temporada de 2017. As novas previsões indicam que essa temporada terá uma atividade de furacões abaixo do normal, o contrário do que era previsto antes do início da temporada.

A última atualização de previsão da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) indica uma probabilidade de 60% dessa ser uma temporada abaixo do normal, 30% de ser dentro do normal e 10% de ser acima, bem diferente daquela lançada em maio que indicava uma probabilidade de 25% de ser abaixo, 40% de ser dentro e 35% de ser acima do normal. Lembrando que o “normal” corresponde a média feita no período entre 1981 a 2010. Na média, são esperadas 12 tempestades tropicais nomeadas, 6 furacões e 3 furacões de categoria intensa (categorias 3, 4 ou 5).

A nova previsão dá uma probabilidade de 70% da ocorrência de 9 a 13 tempestades tropicais nomeadas, sendo que 4 a 7 seriam furacões e entre 0 e 2 seriam furacões de categoria intensa. Até o momento já foram registradas 5 tempestades: Alberto, Beryl, Chris, Debby e a mais recente, Ernesto. Duas delas se tornaram furacões (Beryl e Chris), porém não passaram da categoria 2.

As águas anomalamente mais frias no oceano Atlântico Tropical Norte tem dificultado a formação de tempestades tropicais. Fonte: ESRL/NOAA.

Uma das principais razões para a mudança da previsão é que a região do Atlântico, onde as tempestades tropicais se formam, está mais fria que o normal. Sem o aporte de umidade vindo das águas mais quentes do oceano, a formação dessas tempestades fica mais difícil. Além disso, aumentaram as chances do desenvolvimento de um El Niño com intensidade o suficiente para inibir a formação de furacões no Atlântico. O El Niño tende a fortalecer os ventos de oeste em altos níveis no oceano Atlântico, isso, por sua vez, aumenta o cisalhamento do vento – mudança de velocidade e/ou direção do vento com a altura – que impede a formação de tempestades e destrói as tempestades já existentes.

Porém, a temporada de furacões ainda está longe de acabar (término no dia 30 de novembro) e atualmente estamos entrando no pico da temporada, que ocorre entre o final de agosto e as primeiras semanas de setembro, portanto novas tempestades ainda são esperadas. Vale lembrar que já houveram temporadas com atividade abaixo do normal, porém com a ocorrência de tempestades devastadoras, como o furacão Andrew na temporada de 1992.

O oposto ocorre no oceano Pacífico

Enquanto o Atlântico parece mais tranquilo que o normal, o oposto é observado no Pacífico. A temporada de furacões no Pacífico Central e Leste está bem ativa, até o momento foram contabilizadas 12 tempestades tropicais nomeadas, 6 furacões e 4 furacões de categoria 4, entre eles o furacão Lane, que no momento está se dirigindo ao Havaí e poderá atingir algumas ilhas do arquipélago nos próximos dias. E, ao contrário do que ocorre no Atlântico, o desenvolvimento de um El Niño poderá aumentar a atividade de furacões no Pacífico.

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