Sobre ondas de calor nos oceanos

As frequência de ondas de calor no oceano dobraram nas últimas 3 décadas e a tendência é que esses eventos se tornem cada vez mais comuns e intensos devido aos efeitos do aquecimento global.

Carolina Barnez Carolina Barnez 23 Ago. 2018 - 11:36 UTC
As ondas de calor marinhas são eventos de temperaturas extremas na superfície do oceano que podem durar de dias a meses e podem se extender por milhões de quilômetros.

As ondas de calor, como a que está elevando a temperatura da Europa neste ano, são amplamente estudadas por seu efeito sobre os continentes. Porém, ao longo da última década, eventos prolongados de temperaturas quentes extremas no oceano tem chamado atenção de cientistas. Um recente estudo publicado pela Nature estima que ondas de calor marinhas tendem a ser mais frequentes e intensas conforme o clima esquenta, impactando severamente a vida marinha e podendo causar mudanças irreversíveis na existência e distribuição dos ecossistemas que conhecemos hoje.

Neste estudo, foram analisadas medidas de temperatura de superfície do mar entre 1982 e 2016 proveniente de satélites, que mostram que a frequência de ondas de calor marinhas dobraram nesse período. Esses eventos extremos ocorrem na superfície dos oceanos, podem durar de dias a meses e se estender por milhões de quilômetros.

A ocorrência média de ondas de calor marinhas poderia aumentar 41 vezes se a média da temperatura global subir 3,5ºC acima da temperatura estimada no final do século 19 (período pré-industrial), como previsto pelos cientistas caso continuemos com as políticas atuais de emissão de gases do efeito estufa. Em outras palavras, se no final do século 19 ocorria, por exemplo, 1 evento a cada 100 dias, no futuro poderá acontecer 1 evento a cada 3 dias.

Eventos extremos e causas

Um dos primeiros eventos que chamou a atenção da comunidade científica para este problema foi a ocorrência de uma onda de calor na região Nordeste do Oceano Pacífico. Este episódio foi associada à morte de focas no Alasca e leões marinhos na costa da Califórnia, além de comprometer a produção pesqueira de 2014 e 2015 na região. O El-Niño de 2015-2016 também foi atípico e causou danos severos nos recifes de corais. As ondas de calor marinhas também afetam a migração e distribuição de organismos marinhos, já que espécies típicas de regiões tropicais estão sendo encontradas em locais que geralmente seriam mais frios.

Os cientistas acreditam que as ondas de calor marinhas são resultado da oscilação natural da temperatura que acabam ficando mais extremas devido ao aumento da temperatura média dos oceanos. Porém, o aumento desse tipo de fenômeno pode ser um sinal de que o aquecimento global está alterando o equilíbrio do oceano e a forma com que ele responde às forçantes climáticas. Estima-se que 87% desses eventos no oceano são resultado das mudanças climáticas forçadas pelas atividades humanas.

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