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O que é a Oscilação de Madden-Julian?

É comum ouvirmos nas previsões do tempo o termo “Oscilação de Madden-Julian”. Mas, que oscilação é essa? E por que ela é tão importante para a previsão do tempo no Brasil?

Paola Bueno Paola Bueno 04 Dez. 2018 - 09:58 UTC
A Oscilação de Madden-Julian (OMJ) está diretamente associada ao regime de chuvas do Brasil.

Durante o período chuvoso do Brasil, diversos sistemas meteorológicos exercem grande influência sobre o regime de chuvas, como as zonas de convergência, as frentes frias e os fenômenos de larga escala, como o El Niño - Oscilação Sul (ENOS). Além desses sistemas, que já são bem conhecidos, outro fenômeno também tem uma grande importância, a Oscilação de Madden-Julian (OMJ).

Descoberta por volta de 1970 pelos pesquisadores Roland Madden e Paul Julian, essa oscilação não se comporta como uma frente fria, que se forma, desloca e desaparece em questão de dias, e nem como o ENOS, que surge em determinada área do Oceano Pacífico e dura por meses e até anos. Essa oscilação se dá na forma de uma célula de convecção tropical que viaja de oeste para leste na faixa equatorial num período de 30 a 60 dias. Normalmente ela se inicia no Oceano Índico como uma grande área de convecção que gera chuvas acima do normal na região, essa convecção com o passar dos dias se desloca para leste, chegando ao Oceano Pacífico Oeste, gerando chuvas no norte da Austrália e na Indonésia.

Após sua passagem pelo Pacífico Oeste, a oscilação já não fica mais acoplada com a área de convecção, ou seja, com as grandes nuvens convectivas, porém, essa convecção perturba a circulação atmosférica de baixos e altos níveis. Como a atmosfera é um fluido, qualquer perturbação nela é propagada, então a perturbação gerada pela convecção acaba se propagando pelo restante do globo, atravessando o Pacífico, a América do Sul, o Oceano Atlântico e o continente africano, até retornar para o Oceano Índico.

Representação esquemática da propagação dos distúrbios gerados pela Oscilação de Madden-Julian. Adaptado do trabalho de Madden e Julian, 1972.

Dessa forma, a OMJ acaba perturbando a configuração normal da célula de circulação zonal dos trópicos (chamada célula de Walker), alterando as áreas de movimentos ascendentes (parcela de ar que se desloca de baixo para cima) e subsidentes (parcela de ar que se desloca de cima para baixo) da célula, resultando em favorecimento e inibição da formação de chuvas, respectivamente.

Como a OMJ influencia as chuvas do Brasil?

Como a OMJ altera as áreas de movimentos ascendentes e subsidentes, por vezes ela favorece ou desfavorece a formação de chuvas no Brasil, principalmente nas regiões Norte e Nordeste, mas também afetando as demais regiões. Como mostrada na figura anterior, quando a área de convecção mais intensa está posicionada próxima à Indonésia, movimentos subsidentes anômalos ocorrem sobre o Norte e Nordeste do Brasil, inibindo a formação de chuvas. E quando os movimentos subsidentes estão inibindo a formação de chuvas sobre a Indonésia, uma área de movimentos ascendentes favorece a formação de chuvas no Brasil!

Isso fica bem evidente nos campos de anomalia de chuva, filtrados para a frequência de 30 a 60 dias, mostrados abaixo. Neles podemos ver que quando a OMJ está em suas fases 1, 2 e 8, ela favorece e intensifica as chuvas no Brasil, e o contrário ocorre em suas fases 4, 5 e 6!

Porém, é importante ressaltar que a OMJ não gera chuva sozinha! Ela intensifica ou inibe as chuvas formadas por outros sistemas meteorológicos. Um bom exemplo é o que está acontecendo atualmente, onde uma Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) se formou entre as regiões Norte e Nordeste do Brasil e, como a OMJ está atualmente ativa em sua fase 1, ela favorece e intensifica as chuvas formadas pela ZCAS nessas regiões. E, de acordo com as previsões da OMJ, ela continuará favorecendo as chuvas no Norte e Nordeste ao longo dessa semana!

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