Temporada de furacões 2018: O que esperar para esse ano?

O ano de 2017 surpreendeu a todos com os intensos furacões que causaram grandes estragos no Caribe e Estados Unidos. O que esperar para a temporada de furacões de 2018? Será que teremos mais um ano como o de 2017?

Paola Bueno Paola Bueno 24 Abr. 2018 - 05:38 UTC
Após uma temporada de furacões devastadora, como será a temporada desse ano?

O ano passado foi marcado por uma temporada de furacões devastadora, furacões como Harvey, Irma e Maria causaram terríveis danos aos Estados Unidos e países do Caribe, como Porto Rico. Ainda com as lembranças de 2017, a pergunta que fica é: como será a temporada desse ano?

A temporada de furacões do oceano Atlântico Norte se inicia oficialmente no dia 1° de junho e termina no dia 30 de novembro, período que compreende o final da primavera, o verão e parte do outono do hemisfério norte. Faltando menos de 2 meses para o início dessa nova temporada, algumas agências, como a Colorado State University (CSU), divulgaram sua previsão para esse ano.

A CSU prevê que em 2018 teremos uma temporada de furacões ligeiramente acima da média, com 14 tempestades tropicais nomeadas, 7 furacões e 3 furacões de categoria intensa (categorias 3, 4 ou 5). Isso é um pouco acima da média histórica de 30 anos, de 12 tempestades tropicais nomeadas, 6 furacões e 2 de categorias intensas.

Os furacões Harvey, Irma e Maria foram os mais devastadores da temporada de 2017.

Prever e acertar se esses furacões atingirão o continente é uma tarefa muito difícil. Porém, a CSU prevê que a probabilidade de um furacão de categoria 3, 4 ou 5 atingir qualquer local da costa dos Estados Unidos é de 63%, acima da média histórica.  Na costa do Golfo essa probabilidade é de 38% e na costa leste e Flórida é de 39%. No caribe a probabilidade de algum furacão intenso atingir o continente é de 52%, acima da média de 42%.

Apesar de estar acima da média, essa temporada não será tão intensa quanto a do ano passado que registrou 17 tempestades tropicais nomeadas, 10 furacões e 6 de categorias intensas, incluindo três que atingiram o continente americano e ilhas do Caribe como categoria 4: Harvey, Irma e Maria.  

Juntos, esses três furacões foram responsáveis por mais de 250 mortes e um prejuízo de mais de 300 bilhões de dólares no ano de 2017, estando entre as cinco mais caras da história. Isso fez com que a Organização Meteorológica Mundial retirasse esses 3 nomes da lista rotativa de nomes de tempestades, em respeito às vítimas e estragos causados por esses furacões.

Condições meteorológicas

Para realizar esse tipo de previsão com antecedência, os pesquisadores avaliam os padrões oceânicos e atmosféricos que já estão sendo observados e como eles ficarão nos próximos meses, a partir dos resultados de modelos climáticos e estatísticos. 

O El Niño-Oscilação Sul (ENOS) é um dos padrões que podem intensificar ou enfraquecer a atividade de furacões no Atlântico. Atualmente estamos observando a fase fria do ENOS, o La Niña, no oceano Pacífico Equatorial. Essa fase é favorável a ocorrência e intensificação dos furacões no oceano Atlântico Tropical Norte, pois ela diminui o cisalhamento do vento nessa região, o que colabora para o crescimento dessas tempestades.

Porém, nas últimas semanas de abril estamos observando um enfraquecimento do La Niña e a maioria dos modelos climáticos estão mostrando que provavelmente teremos uma fase neutra (nem El Niño e nem La Niña) no auge da temporada de furacões, meses de agosto e setembro. Isso inibiria a atividade de furacões.

Anomalias de temperatura nos Oceanos Pacífico e Atlântico Tropicais influenciam na formação de furacões. Fonte: ESRL/NOAA

A temperatura do próprio oceano Atlântico é um importante influenciador na atividade de furacões, já que eles se alimentam das águas mais quentes desse oceano. Entretanto, atualmente não estamos observando temperaturas tão quentes no Atlântico Tropical Norte, somente em algumas partes da costa dos Estados Unidos, como na costa do Golfo. Isso nos dá indícios que essa temporada não será tão intensa quanto a do ano passado.

Mas é importante lembrar que o sistema oceano-atmosfera é muito complexo e suas condições podem mudar a qualquer momento. Essas mudanças inesperadas fizeram com que os pesquisadores errassem a previsão da temporada de 2017, que de acordo com eles seria abaixo da média e o que ocorreu foi completamente o oposto. 

Outras previsões

Alguns dias após a publicação da previsão feita pela CSU, pesquisadores da North Carolina State University divulgaram sua previsão para a temporada de furacões de 2018. Eles também preveem uma temporada com atividade acima da média, com cerca de 14 a 18 tempestades tropicais nomeadas, 7 a 11 furacões formados e 3 a 5 de categorias 3, 4 ou 5.

A agência Tropical Storm Risk (TSR) de Londres prevê uma temporada ligeiramente abaixo da média, com 12 tempestades tropicais, 6 furacões e 2 de categoria intensa. E no dia 19 de abril a The Weather Channel divulgou sua previsão de uma temporada de furacões próxima a média histórica, com 13 tempestades tropicais, 6 furacões e 2 de categorias 3,4 ou 5.

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