Os furacões podem ficar ainda mais catastróficos?

Entenda mais sobre essa discussão que surgiu após um estudo mostrar que os furacões estão ficando mais catastróficos por causa da diminuição em sua velocidade de deslocamento.

Carolina Barnez Carolina Barnez 19 Jul. 2018 - 06:58 UTC
O aumento de furacões com deslocamento mais lento indica que seus efeitos poderão ser mais catastróficos e duradouros.

O furacão Harvey (2017) é considerado um dos ciclones mais catastróficos da história, se equiparando apenas com o trágico Katrina (2005). Apesar de não ser o ciclone tropical mais intenso da temporada, seu deslocamento mais lento foi decisivo para causar estragos enormes no leste do Texas (EUA), com ventos e chuvas intensos e contínuos por quase uma semana. Em Junho deste ano, um novo estudo publicado pela revistaNature mostra que furacões mais lentos, como o Harvey, estão se tornando mais frequentes ao longo dos últimos 70 anos.

Os furacões, ou ciclones tropicais, estão associados a ventos e chuvas fortes. Porém, além da intensidade do sistema, a velocidade com que ele se movimenta também está relacionada com os danos causados. Um furacão rápido, por exemplo, causará chuvas intensas em uma região, mas por um curto período de tempo. Quando temos um deslocamento mais lento, as regiões atingidas receberão chuva e ventos constantes por mais tempo, o gera mais problemas e compromete a recuperação da população local aos efeitos do ciclone.

Furacão Harvey no dia 25 de Agosto de 2017. Credits: NASA/NOAA GOES Project.

O aumento de furacões com deslocamento mais lento indica que seus efeitos poderão ser mais catastróficos e duradouros. Alagamentos serão mais frequentes, uma vez que teremos mais chuva acumulada em pequenas regiões. Além disso, os ventos intensos associados ao furacão, quando contínuos e concentrados em uma região, poderão causar prejuízos às construções e a infraestruturas em geral.

O estudo da Nature, mostrou que a velocidade média de deslocamento dos furacões caiu 10% em 67 anos. Em 1949, um ciclone tropical se movia a ceca de 19 km/h, enquanto em 2016 o deslocamento médio obtido foi de 17 km/h. As regiões mais atingidas são o Norte do Pacífico, Austrália e Atlântico Norte, onde a redução foi de 30% a 20%.

Possíveis Causas e Discussões

Os furacões se movimentam de acordo com as correntes de ventos de grande escala. Existem evidências de que a circulação atmosférica na região tropical está ficando mais lenta, o que explicaria a diminuição na velocidade dos ciclones tropicais. O maior desafio para os cientistas é entender se essas mudanças observadas são variabilidades naturais ou são parte das mudanças climáticas promovidas pela ação do homem.

Nova Orleans, Luisiana (EUA) após a passagem do furacão Katrina (2005).

O trabalho supracitado foi alvo de controvérsias no meio científico, promovendo discussões sobre a validade dos resultados. Isso porque os modelos climáticos usados para estudar o futuro dos furacões no Atlântico Norte não mostram ciclones mais lentos. Além disso, alguns cientistas acreditam que os dados usados no artigo da Nature não são muito confiáveis para períodos antes dos anos 70, o que comprometeria os resultados.

Apesar disso, um outro estudo encontrou uma relação entre o aquecimento global e a lentidão dos ciclones, o que fortalece a ideia exposta no artigo da Nature. Sem dúvidas estas descobertas podem ser mais uma evidência das mudanças climáticas e esse debate mostra o quanto ainda temos que estudar e explorar para entendermos o sistema climático da Terra.

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