“Não estamos prontos para morrer” pela mudança climática

Simples e direto, assim mostrou-se Mohamed Nasheed, delegado das Maldivas na Conferência do Clima de Katewice, na Polônia. Não são as únicas ilhas ameaçadas pelo aquecimento global.

Juan José Villena Juan José Villena Rafaela Freitas 29 Dez. 2018 - 09:52 UTC
Maldivas
As Ilhas Maldivas estão somente 1,5 metros sob o nível do mar, justamente o que alguns estudos projetaram que poderia aumentar.

Está prevista a presença de cerca de vinte mil pessoas de 190 países pela conferência do clima de Katowice, na Polônia, até a sua conclusão no dia 23 de dezembro. Foram convidados líderes mundiais e grandes cientistas,porém, dificilmente a suas declarações atingirão o impacto da frase de Mohamed Nasheed, delegado das Ilhas Maldivas: “Não estamos preparados para morrer". Enquanto as nações superam as discrepâncias para conseguir um pacto pelo clima, os cidadãos das Maldivas estão observando como o seu território insular desaparece, devido ao incremento do nível do mar. "Não seremos as primeiras vítimas da crise climática", salientou Nasheed em um "apelo emocionante", de acordo com a agência Reuters.

As Ilhas Maldivas possuem uma altitude de 1,5 metros e um máximo de, 2,4 metros. Algumas projeções climáticas para finais do século, estimaram um aumento do nível do mar de metro e meio, medida suficiente para submergir parte destas ilhas do Índico. Também estão em perigo as áreas da República das Fiji, Palos, Seychelles e Cabo Verde. Entre estes enclaves insulares de risco, podemos encontrar Rapa Nui, a ilha habitada mais remota do planeta. Não é necessário dizer, que ali o impacto da mudança climática está passando despercebido. Os petroglifos não falam; já os rapanuis começaram a erguer a voz.

Moai
A ilha de Páscoa está perdendo os monumentos "moai" devido ao aumento do nível do mar.

Os moai também "morrem"

Rapa Nui, mais conhecida como a Ilha de Páscoa, está no meio do Pacífico aproximadamente 4.000 quilômetros da costa do Chile, país ao que pertence. Nas suas costas, de forma anular, se dispõe petroglifos e moais, grandes bustos de pedra que representam os antepassados dos rapanuis. A ilha possui ao redor de 900 moais que, junto as 300 plataformas ahu onde descansam, estão catalogadas como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.

"Aqui já perdemos peças incalculáveis peças talhadas em rochas. Simplesmente desabaram-se por causa do poder das ondas", declarou recentemente para a ONU, o diretor do Parque Nacional Camilo Rapu. Todo ano, o mar quebra com mais força contra as falésias, onde há muitas das esculturas do século XI, e está previsto que seu nível e virulência aumente com o passar das décadas. Os residentes temem perder parte de sua costa, das esculturas e o dinheiro que gera o turismo.

Além disso, a comunidade das ilhas está enfrentando a contaminação por plásticos e a redução das precipitações. Os primeiros chegam do exterior, barcos e a pesca; a falta de chuva por outra parte está acabando com a agricultura tradicional. Até o final do século, a ilha poderá ser insustentável.

Publicidade