O último refúgio de gelo marinho do Ártico está desaparecendo

A camada de gelo mais antiga e espessa do Ártico, denominada de último refúgio de gelo marinho, está desaparecendo numa velocidade duas vezes mais rápida que o restante do gelo marinho do Oceano Ártico!

Paola Bueno Paola Bueno 21 Nov. 2019 - 10:52 UTC
O último refúgio de gelo marinho do Ártico está desaparecendo numa velocidade acima do esperado, de acordo com novo estudo. Foto: NASA.

A camada de gelo marinho mais antigo e espesso do Ártico está derretendo mais rápido do que se esperava! A descoberta foi revelada em um novo estudo da União Geofísica Americana (AGU, sigla em inglês), publicado na Geophysical Research Letters, no dia 15 de outubro.

De acordo com o Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo, a maior parte do gelo que cobre o Ártico tem apenas um a quatro anos de vida. Essas camadas de gelo jovens e mais finas geralmente derretem no verão e o que resta é um arco de gelo de aproximadamente 2000 km que se estende do oeste do arquipélago Ártico Canadense ao norte da costa da Groenlândia. Esse arco de gelo tem mais de cinco anos e pode medir mais de 4 metros de espessura, por isso é considerada a camada de gelo mais antiga e espessa do Ártico, o que os cientistas chamam de último refugio de gelo marinho.

Os modelos climáticos sugerem que esta região seria a última a perder sua cobertura perene de gelo. Porém, analisando dados de espessura, concentração e deslocamento do gelo, desde 1979 a 2018, os autores desse novo estudo descobriram que essa camada de gelo é mais móvel e dinâmica do que se pensava anteriormente, sendo influenciada pela circulação de larga escala da atmosfera e das correntes oceânicas da região, que transportam parte do gelo para outras partes do Ártico. Como principal resultado os autores inferiram que essa região está perdendo gelo numa velocidade duas vezes mais rápida que o restante do Ártico!

Os autores também observaram que existem duas sub-regiões que variam ao longo do ano de formas distintas, porém, ambas tem apresentado uma diminuição em sua espessura de gelo de cerca de 0.4 metros por década, totalizando uma perda de 1.5 metros desde o final da década de 1970.

Essa ultima área de gelo serve como um santuário para a vida selvagem, pois é para ela que os animais migram durante o verão, quando grande parte do gelo derrete. De acordo com Kent Moore, autor principal do estudo, “Se perdermos todo o gelo, perderemos essas espécies. Esta área será um refúgio onde as espécies poderão sobreviver e, com sorte, expandir sua área assim que o gelo começar a retornar”.

Outro estudo realizado por cientistas da Universidade da Califórnia, publicado na Nature Climate Change, mostra que num futuro não tão distante, começando entre 2044 e 2067, o Oceano Ártico não apresentará mais gelo durante parte do ano, o que mostra que este refúgio e toda a frágil biodiversidade que depende dele não resistirão ao atual cenário de mudanças climáticas que a atividade humana tem proporcionado.

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