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A Antártica está derretendo mais rápido do que pensávamos

A notícia alarmante de que o derretimento do gelo antártico triplicou, surpreendeu a todos na última semana. Acredita-se que a taxa de perda de gelo será acelerada nas próximas décadas, aumentando significantemente o nível médio do mar.

Carolina Barnez Carolina Barnez 21 Jun. 2018 - 12:37 UTC
A perda de gelo continental antártico triplicou desde 2012.

Sabemos que as regiões polares são fundamentais para a manutenção do clima na Terra e o derretimento excessivo das calotas polares pode trazer graves consequências. Ao logo dos últimos anos, a Antártica tem atraído muita atenção devido aos seus padrões de derretimento do gelo. O continente antártico tem uma área equivalente ao território dos Estados Unidos e México juntos e contem mais de 60% da água doce do planeta em forma de gelo continental.

A contribuição da Antártica para o aumento do nível do mar global é cerca de 7,5 vezes maior que a de todas outras fontes de gelo continental do mundo juntas. Se o continente Antártico derretesse por inteiro, por exemplo, o nível médio do mar subiria 58 m. Este derretimento não acontece do dia pra noite, porém são necessários cuidado e monitoramento constantes para a elaboração de um planejamento diante desse problema real.

A Antártica armazena mais de 60% da água doce do planeta em forma de gelo sobre o continente.

Um estudo alarmante publicado na Nature, na semana passada, mostra que a perda de gelo na Antártica triplicou desde 2012. Antes, a taxa de perda de gelo era praticamente constante e contribuía para um aumento de 0,2 mm no nível médio do mar por ano. Porém, após 2012, a média anual subiu para 0,6 mm. O aumento na taxa de derretimento do gelo antártico causará um aumento do nível médio do mar muito mais rápido a partir de agora, se comparado aos últimos 25 anos.

O que causa o derretimento do gelo continental?

Um dos motivos para o aumento na perda de gelo continental é a própria redução de gelo marinho. As plataformas de gelo marinho funcionam como uma barreira, inibindo os fluxo de calor com o oceano e impedindo o gelo continental de "escoar" para o mar. O aumento da temperatura de superfície do mar induz o derretimento e "afinamento" dessas plataformas enfraquecendo a barreira entre oceano e continente.

Perda de gelo continental antártico nos últimos anos e as diferenças entre o Oeste e Leste do Continente. Adaptado de NASA.

O aumento da temperatura de superfície do mar atinge de forma distinta o continente Antártico. A parte oeste da península Antártica é a que mais sofre com o aumento da temperatura, e consequentemente é a região que apresenta maior perda de gelo marinho e continental. A região leste da Antártica não sofre muito com o aumento de temperatura do mar, apresentando, inclusive, um ganho de massa de gelo nos últimos anos. Porém, no último monitoramento realizado, observou-se que o ganho de gelo no leste da Antártica diminuiu e não é mais suficiente para balancear as perdas do oeste Antártico - que aumentaram significativamente.

A importância do monitoramento do gelo antártico

Os últimos resultados publicados na Nature são frutos de um dos estudos mais robustos sobre balanço de massa de gelo na Antártica já realizados. O projeto contou com a participação de mais de 80 cientistas que utilizaram produtos de 24 satélites e modelos numéricos para o monitoramento de todo continente. Em maio deste ano mais um satélite foi lançado exclusivamente para estudos climáticos, e promete ser um marco nos estudos antárticos. Agora, o desafio da comunidade científica é entender a ligação entre as forçantes climáticas e a perda de gelo para melhor prever a elevação do nível do mar nas próximas décadas.

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