O relâmpago mais longo do mundo pode ter ocorrido no Brasil

No dia 31 de outubro de 2018, uma descarga elétrica atmosférica sobre o estado do Rio Grande do Sul surpreendeu a comunidade científica. O Geostationary Lightning Mapper (GLM) registrou um relâmpago tão longo que poderia estar no livro dos recordes.

Davi Moura Davi Moura 07 Set. 2019 - 13:25 UTC
Globalmente, Cerca de 70% do total de descargas elétricas são do tipo intra-nuvem.

Os relâmpagos são fenômenos que aguçam a curiosidade do homem desde a pré-história. A luz que corta o céu, e é seguida de um forte barulho (conhecido como trovão), causa medo em muitas pessoas. Geralmente, relâmpagos duram apenas alguns milésimos de segundo e percorrem alguns quilômetros entre a nuvem e o solo ou dentro da nuvem. Em alguns casos raros, a descarga elétrica atmosférica pode se propagar horizontalmente para longe da tempestade que a originou.

No dia 31 de outubro de 2018 às 08:40:23 UTC (05:40:23 horário local), um relâmpago registrado pelo Geostationary Lightning Mapper (GLM), sobre o estado do Rio Grande do Sul, foi capaz de percorrer 673km de distância e durou a incrível marca de 7,4 segundos. Para se ter uma ideia da distância, o relâmpago cruzou o estado do Rio Grande do Sul de ponta a ponta. O caso foi tão surpreendente que acabou sendo publicado na revista Journal of Geophysical Research: Atmospheres.

A distância que este relâmpago percorreu foi impressionante, mas ainda existem algumas características curiosas a serem apontadas. É incomum a ocorrência de relâmpagos no horário em que esta descarga elétrica recorde ocorreu. Geralmente estes eventos estão mais ativos entre às 18h e 00h devido ao aquecimento radiativo durante o dia que ativa a convecção. Porém, este relâmpago foi causado por um Complexo Convectivo de Mesoescala (CCM).

Os CCMs são tempestades multicelulares de mesoescala capazes de produzir grandes acumulados de chuva, rajadas de vento, fortes precipitações de granizo, tornados (eventualmente) e muitos relâmpagos. Os CCMs se desenvolvem durante o início da madrugada e tem um ciclo de vida de aproximadamente 6h. No caso do evento do relâmpago sobre o Rio Grande do Sul, o CCM estava em seu estágio de máximo desenvolvimento no momento da ocorrência da descarga elétrica.

Uma outra característica curiosa do relâmpago em questão foi a distância percorrida em relação ao tempo de duração: 673km em 7,4 segundos. Significa que o relâmpago percorreu aproximadamente 91 km/s ou 327.000 km/h até atingir a máxima extensão horizontal. Em geral, as primeiras cargas elétricas que iniciam a descarga se propagam a uma velocidade média de 400.000 km/h. Ou seja, o relâmpago recorde se propagou com uma velocidade abaixo da média. Porém, vale observar que o relâmpago recorde se propagou com ramificações extensas e isso pode ter “atrasado” a chegada ao destino final.

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