Número de moluscos invasores salta mais de 200% no Brasil em 15 anos e acende alerta entre cientistas
Estudo revela que o número de espécies de moluscos não nativos no Brasil saltou de 26 para 82 entre 2011 e 2025, o que representa um aumento de 215% e traz preocupação devido aos graves impactos ambientais, econômicos e de saúde pública no país.

Um estudo recente revelou que o número de espécies de moluscos não nativos no Brasil aumentou de 26 para 82 no período de 2011 a 2025. Isto representa um aumento de 215% e preocupa os pesquisadores devido aos sérios impactos ambientais, econômicos e de saúde pública que os animais podem provocar no nosso país.
A pesquisa contou com a participação de 27 cientistas de diferentes países, foi liderada por pesquisadores da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e foi divulgada na revista científica Biological Invasions. Saiba mais abaixo.
Sobre o estudo
O estudo, que é um tipo de inventário nacional, detalha a magnitude do problema e é o mais completo inventário de moluscos não nativos no Brasil até o momento.
Além das 82 espécies de moluscos não nativas existentes no país, há outras 13 espécies cuja origem não pôde ser determinada, isto é, faltam estudos biogeográficos ou moleculares que permitam estabelecer com certeza a sua origem.
Destas 82 espécies não nativas, 23 são consideradas invasoras por causarem algum tipo de dano ecológico, socioeconômico ou sanitário.
E as outras 13 espécies ainda não são consideradas invasoras pois não há dados suficientes para afirmar se elas estão gerando algum impacto no país.
As 82 espécies não nativas estão distribuídas em três tipos de ambientes: mar, rios e terra. Nos ambientes marinhos e estuarinos, foram registradas 32 espécies não nativas; em água doce (rios, lagos e lagoas) foram identificadas 17 espécies não nativas; e em ambientes terrestres foram documentadas 33 espécies não nativas.
Os autores do estudo destacam que é muito importante fortalecer as medidas de biossegurança e detecção precoce, bem como desenvolver programas de monitoramento de longo prazo e obter uma melhor definição de seus impactos no país.
Algumas espécies
Marcel Sabino Miranda, um dos coautores do estudo, comentou em entrevista à Agência FAPESP que “algumas espécies são especialmente problemáticas, como o mexilhão-dourado e o caracol-gigante-africano”.
O mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei) muito provavelmente chegou ao Brasil no início dos anos 1990, após um longo histórico de invasões da China.
Esta espécie causa impactos ambientais e econômicos, provocando alterações estruturais e funcionais nos ecossistemas e prejuízos às atividades humanas, como obstrução de hidrelétricas.

Apesar de ser alvo de um plano de controle, esse molusco continua se expandindo. Estima-se que cerca de 10 milhões de dólares já tenham sido investidos no Brasil para combatê-lo.
E outro destaque é o caracol-gigante-africano (Lissachatina fulica). Ele foi introduzido no Brasil de forma ilegal para consumo (como "escargot") entre o fim da década de 1980 e o início dos anos 1990, mas seu cultivo foi abandonado e a espécie acabou amplamente distribuída por todo o país.
A preocupação com ele é que pode se tornar uma praga agrícola devido à sua voracidade, dieta generalista e rápida reprodução, e também atuar como hospedeiro intermediário do nematóide Angiostrongylus cantonensis, um parasita causador da meningite.
Referência da notícia
André Julião|Agência FAPESP. (2026). En 15 años, Brasil registró un aumento de más del 200 % en el número de especies no nativas de moluscos.
Machado, F. et al. (2026). Non-native mollusc species in Brazil: a first national inventory and distributional overview.