Nobel de Física usa IA para resolver uma conjectura que resistia havia 10 anos

Com a ajuda do Claude, físicos conseguiram demonstrar uma conjectura que permanecia sem solução havia mais de uma década.

A conjectura de jamming permaneceu em aberto por uma década na Física da matéria condensada, até ser demonstrada com a colaboração entre pesquisadores e IA. Crédito: The Washington Post
A conjectura de jamming permaneceu em aberto por uma década na Física da matéria condensada, até ser demonstrada com a colaboração entre pesquisadores e IA. Crédito: The Washington Post

Nos últimos anos, a possibilidade de sistemas de inteligência artificial (IA) contribuírem para descobertas em Física passou a receber cada vez mais atenção. Embora esses modelos já tenham demonstrado capacidade para analisar dados e acelerar cálculos, ainda existia resistência quanto à sua capacidade de produzir novos insights científicos.

Um dos maiores desafios é fazer com que modelos de IA consigam ir além da reprodução de conhecimento existente. Em Física e Matemática, isso exige compreender estruturas abstratas, identificar padrões complexos e construir argumentos consistentes, em vez de apenas reconhecer exemplos presentes nos dados de treinamento.

Por esse motivo, usar IA para demonstrar conjecturas ou encontrar novas soluções matemáticas é considerado um passo muito mais difícil. No entanto, um novo estudo mostrou o potencial dessa abordagem ao reunir físicos, incluindo um laureado com o Prêmio Nobel, e o sistema Claude Code para resolver uma conjectura que permanecia sem solução há cerca de dez anos.

Conjectura

A conjectura investigada está relacionada ao fenômeno conhecido como jamming, no qual um conjunto de partículas passa abruptamente de um estado fluido para um estado rígido. Esse comportamento é observado em sistemas como espumas e materiais granulares.

O físico Giorgio Parisi, vencedor do Prêmio Nobel de Física de 2021, liderou o trabalho que finalmente resolveu uma conjectura sobre jamming proposta há cerca de 10 anos. Crédito: Parisi
O físico Giorgio Parisi, vencedor do Prêmio Nobel de Física de 2021, liderou o trabalho que finalmente resolveu uma conjectura sobre jamming proposta há cerca de 10 anos. Crédito: Parisi

Em 2014, Giorgio Parisi, vencedor do Prêmio Nobel de Física de 2021, e colaboradores desenvolveram uma descrição para esse fenômeno. As simulações numéricas indicavam que dois parâmetros do modelo, a e b, sempre satisfaziam a relação a + b = 1. Essa propriedade permaneceu por uma década sem uma demonstração matemática.

Claude Code

É aí que entra o Claude Code, uma versão do modelo Claude otimizada para tarefas de programação, raciocínio lógico e resolução de problemas técnicos. Essas capacidades o tornam útil em pesquisas científicas que envolvem modelagem matemática, computação científica e desenvolvimento de software.

Em problemas envolvendo cálculo e programação, o Claude Code costuma ser usado por sua capacidade de decompor desafios complexos em etapas menores. Essa característica facilita a exploração de conjecturas matemáticas, a implementação de simulações numéricas e a verificação de resultados computacionais.

Qual foi a solução?

Após os pesquisadores fornecerem ao Claude Code o código usado anteriormente nas simulações numéricas, o modelo passou a explorar diferentes caminhos para construir uma demonstração analítica da conjectura. A IA reformulou o problema por meio de uma identidade matemática equivalente e usou dedução reversa a partir do resultado.

O Claude Code mostrou que a IA pode atuar como uma importante ferramenta de apoio à pesquisa científica, ajudando físicos a explorar soluções para problemas. Crédito: Anthropic
O Claude Code mostrou que a IA pode atuar como uma importante ferramenta de apoio à pesquisa científica, ajudando físicos a explorar soluções para problemas. Crédito: Anthropic

Esse procedimento levou a uma identidade algébrica que demonstrou que a soma dos parâmetros é igual a 1. O aspecto que mais chamou a atenção foi a simplicidade da demonstração encontrada. Embora a primeira versão produzida pelo Claude apresentasse erros, a estratégia estava correta.

IA já resolve problemas da Física?

Apesar do resultado alcançado, o trabalho não demonstra que a IA seja capaz de fazer descobertas científicas de forma totalmente autônoma. A primeira demonstração produzida pelo Claude continha erros de notação e inconsistências matemáticas que precisaram ser identificados e corrigidos pelos próprios pesquisadores.

Além disso, a formulação do problema, a interpretação física da solução e a validação final da prova permaneceram sob responsabilidade da equipe científica. Isso evidencia que, atualmente, a IA atua como uma ferramenta de apoio ao raciocínio humano, e não como um substituto do pesquisador.

Referência da notícia

Parisi, G., Zamponi, F. (2026). A proof of an identity for the critical exponents of jamming.