MIT descobre substância química chave que pode atrasar a recuperação da camada de ozônio em 7 anos

Pesquisadores do MIT descobriram que vazamentos de produtos químicos industriais podem atrasar a recuperação da camada de ozônio em até sete anos, possivelmente contribuindo para o aumento da exposição aos raios UV em todo o mundo.

Pesquisadores do MIT descobriram vazamentos químicos que podem atrasar a recuperação da camada de ozônio.
Pesquisadores do MIT descobriram vazamentos químicos que podem atrasar a recuperação da camada de ozônio.

A camada de ozônio desempenha um papel vital na proteção da Terra, e os esforços globais para a sua restauração têm vindo a decorrer há décadas.

A sua recuperação gradual tem sido saudada como prova da eficácia da proteção ambiental global. Um novo estudo revelou uma lacuna legal frequentemente ignorada que poderá estar a atrasar silenciosamente este progresso.

Pequenos vazamentos industriais se acumulam

Uma equipe de pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) examinou substâncias químicas que destroem a camada de ozônio e que ainda são permitidas pelo Protocolo de Montreal para uso como "matérias-primas" industriais — componentes químicos básicos usados na fabricação de plásticos, revestimentos e refrigerantes substitutos.

Quando o Protocolo de Montreal foi assinado em 1987, os cientistas acreditavam que apenas cerca de 0,5% dessas substâncias químicas vazariam para a atmosfera. Novas medições mostram agora taxas de vazamento muito maiores, próximas a 3,6%, com algumas substâncias químicas, como o tetracloreto de carbono, apresentando perdas ainda maiores.

"Nos últimos anos, percebemos que esses produtos químicos usados como matéria-prima representam uma falha no sistema", disse Susan Solomon, professora de Estudos Ambientais e Química no MIT.

Segundo os pesquisadores, essa isenção se tornou uma falha sistêmica, permitindo que gases nocivos continuem atingindo a atmosfera mesmo após a remoção da maior parte dos poluentes. Embora pareçam pequenos, esses vazamentos podem atrasar significativamente o processo de recuperação da camada de ozônio.

O estudo foi publicado na revista Nature Communications e liderado por uma equipe internacional de pesquisadores que inclui cientistas do MIT, da NASA, da NOAA e de outras instituições de pesquisa dos Estados Unidos, da Europa e da Ásia.

Recuperação da camada de ozônio pode atrasar

Utilizando medições atmosféricas das redes de monitoramento AGAGE e NOAA, os cientistas compararam diferentes cenários futuros até o ano de 2100. Eles analisaram o que aconteceria se as taxas de vazamento permanecessem altas, retornassem às estimativas anteriores ou fossem eliminadas completamente.

Os resultados mostraram que, se os vazamentos continuarem nos altos níveis atuais, a camada de ozônio poderá não retornar ao seu estado de 1980 até 2073.

Se as emissões fossem reduzidas para níveis próximos à estimativa original, a recuperação poderia ocorrer por volta de 2066. Isso significa que os vazamentos atuais poderiam atrasar a recuperação em aproximadamente sete anos.

Entre os principais culpados estão o tetracloreto de carbono e o CFC-113, substâncias químicas encontradas em produtos como revestimentos antiaderentes, plásticos e na indústria de manufatura. Cientistas afirmam que reduzir os vazamentos dessas fontes seria crucial.

Um problema solucionável com benefícios globais

Os pesquisadores apontam que muitos desses produtos químicos poderiam ser substituídos e que controles industriais aprimorados poderiam reduzir as emissões sem grandes transtornos. Solomon afirma que a indústria química tem um longo histórico de adaptação às mudanças.

A redução dessas emissões poderia diminuir o impacto climático e a exposição aos raios ultravioleta nocivos, que estão associados ao câncer de pele e outros riscos à saúde. Mesmo uma redução de alguns anos no tempo de recuperação poderia fazer uma diferença significativa em nível global.

À medida que os países continuam a rever o Protocolo de Montreal, abordar essas deficiências na recuperação da camada de ozônio poderá ajudar a reduzir os riscos futuros da radiação ultravioleta.

Referências da notícia

MIT scientists just found a hidden problem slowing the ozone comeback. 16 de abril, 2026. Massachusetts Institute of Technology/Science Daily.

Continuing industrial emissions are delaying the recovery of the stratospheric ozone layer. 16 de abril, 2026. Reimann, et al.

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