El Niño está a caminho em 2026! Quando o fenômeno vai afetar o Brasil?
Modelos climáticos indicam um rápido aquecimento do Oceano Pacífico, com formação de El Niño em 2026 ainda no inverno.

O Oceano Pacífico equatorial segue apresentando temperaturas da superfície do mar (TSM) que oscilam entre valores próximos da neutralidade e episódios de resfriamento.
O último boletim da NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) avalia que esse viés frio tende a perder força, com condições de neutralidade que voltam a predominar entre janeiro e março, e maior probabilidade de um El Niño entre julho e agosto.

Os modelos climáticos, no entanto, apontam de forma consistente, para um rápido aquecimento do Oceano Pacífico equatorial, em um comportamento semelhante ao observado em 2023.
Com um El Niño cada vez mais próximo, confira o que dizem os modelos e saiba quando os efeitos deste evento seriam sentidos no Brasil.
Modelos climáticos indicam um rápido aquecimento
A previsão dos fenômenos ENSO (El Niño e La Niña) leva em conta dezenas de modelos climáticos independentes. O conjunto das previsões é chamado de ‘ensemble’, e representa uma média entre as previsões dos modelos dinâmicos (linha rosa espessa no gráfico abaixo) e estatísticos (linha verde espessa):
- Modelos dinâmicos utilizam equações físicas que regem a atmosfera e o oceano
- Modelos estatísticos produzem previsões a partir de relações históricas observadas entre eventos passados e a evolução do ENSO
Estudos mostram que os modelos dinâmicos são superiores para prever El Niño.

A previsão atual dos modelos dinâmicos têm indicado um aquecimento rápido do Pacífico. Nota-se que o ensemble dos modelos dinâmicos ultrapassa a linha tracejada vermelha (limiar de El Niño) no trimestre entre maio-julho. Isso representaria apenas quatro trimestres móveis de neutralidade (cerca de três meses), indicando uma transição rápida do ENSO.
Comparação com o El Niño de 2023-2024
Um comportamento semelhante foi observado em 2023, quando, após um período prolongado de La Niña, o Pacífico equatorial passou por uma transição rápida, saindo de anomalias negativas no trimestre dezembro-fevereiro para o limiar de El Niño em abril-junho, em apenas três trimestres móveis.
Esse El Niño esteve entre os mais intensos já registrados e contribuiu para os recordes de temperatura global, com 2024 como o ano mais quente da série histórica e 2023 logo atrás.
Ainda assim, a possível formação de um El Niño entre 2026 e 2027 preocupa, pois, mesmo com o Pacífico mais frio que o normal entre 2024 e 2025, o que poderia reduzir as temperaturas globais, 2025 foi o terceiro ano mais quente já registrado. Isso indica que novos recordes podem ocorrer nos próximos anos.
Impactos do El Niño no Brasil
Caso o El Niño se forme até o entre o outono e o inverno, seus efeitos podem começar a ser percebidos já na primavera. Mas estudos mostram que os maiores impactos tendem a se concentrar no verão:
- No Sul do Brasil, as chuvas ficam acima da média e há um maior favorecimento à ocorrência de eventos extremos
- No Norte e Nordeste, a tendência é oposta, com redução das chuvas à medida que o fenômeno se organiza
- Já no Centro-Oeste e Sudeste, a resposta da precipitação costuma ser mais irregular e menos previsível, enquanto as temperaturas tendem a ficar acima da média
Isso pode ser observado no mapa abaixo, onde “wet” se refere a condições mais úmidas, “dry” a condições mais secas e “warm” condições mais quentes.

Já no inverno os impactos no Brasil tendem a se manifestar em temperaturas mais elevadas, então podemos esperar um 2027 com redução na frequência e na intensidade das incursões de ar frio, e menor ocorrência de episódios de frio intenso.
O índice Niño relativo
A NOAA anunciou que, a partir de fevereiro de 2026, irá atualizar sua metodologia de cálculo das anomalias de TSM, passando a utilizar um índice relativo em substituição ao tradicional ONI: o Relative Oceanic Niño Index (RONI).
O RONI busca descontar o aquecimento médio de longo prazo dos oceanos tropicais, o que tende a reduzir a intensidade aparente de episódios quentes e a tornar mais evidentes episódios frios, especialmente os mais fracos.
Trata-se de uma pergunta que só poderá ser respondida à medida que a pesquisa científica avance e confronte índices, observações e impactos reais no clima.
Referência da notícia
Boletim ENSO, publicado em 20 de janeiro de 2026 pela NOAA.
2025 was the third-warmest year on record, Copernicus data show, publicado em 14 de janeiro de 2026 pelo ECMWF,