Cientistas descobrem um misterioso poluente de silicone que poderia estar em todo lugar
Pesquisadores descobriram uma classe de poluentes à base de silicone circulando na atmosfera em concentrações muito maiores do que o esperado, desde centros urbanos até florestas, e acreditam que o óleo de motor seja uma das principais fontes.

Atualmente, quase todos já ouviram falar de PFAS (substâncias per- e polifluoroalquil), aqueles produtos químicos persistentes que aparecem com frequência alarmante em amostras de água, solo e sangue. Eles são semelhantes aos microplásticos, pois também estão por toda parte: desde sedimentos oceânicos até tecido pulmonar humano. E nenhum dos dois desaparecerá tão cedo.
No entanto, cientistas descobriram outra classe de compostos sintéticos que parece estar presente no ar em quantidades muito maiores do que qualquer um deles e, até recentemente, quase ninguém lhe dava atenção.
Pesquisadores da Universidade de Utrecht e da Universidade de Groningen descobriram que metilsiloxanos — compostos químicos à base de silicone usados em uma ampla gama de produtos, de cosméticos a óleos de motor — estão presentes em ambientes urbanos, rurais, costeiros e florestais. Preocupantemente, seus dados mostram que eles são encontrados em concentrações que os tornam um dos compostos sintéticos mais abundantes em material particulado.
Como o óleo do motor chega à atmosfera?
Durante anos, acreditou-se que a presença de metilsiloxanos no ar se devia principalmente à evaporação de produtos de higiene pessoal e materiais industriais.
No entanto, o estudo recente revelou que os veículos emitem uma forma diferente desse composto químico, constituída por moléculas muito maiores que não evaporam facilmente, e que sua origem parece estar em aditivos de óleo de motor que sobrevivem à combustão e são liberados pelo escapamento.

Segundo os pesquisadores, o mecanismo envolve o fato de que os metilsiloxanos adicionados aos lubrificantes têm como objetivo lubrificar o motor, e não melhorar a combustão. Porém, durante o funcionamento normal, pequenas quantidades de óleo inevitavelmente entram na câmara de combustão e, devido à alta resistência térmica desses compostos, não se decompõem completamente mesmo nas temperaturas atingidas no interior do motor.
Mais da metade das grandes partículas de metilsiloxano detectadas pela equipe parecem ter origem em emissões veiculares. As concentrações na região metropolitana de São Paulo, no Brasil, por exemplo, atingiram 98 nanogramas por metro cúbico, o nível mais alto já registrado em qualquer área analisada. Mesmo em uma pequena vila rural na Holanda, os níveis chegaram a 2 nanogramas por metro cúbico.
O que ninguém sabe ainda
Como esses compostos parecem estar praticamente em todos os lugares na atmosfera, é quase certo que as pessoas os estejam inalando continuamente, e os pesquisadores estimam que a dose diária possa até mesmo exceder a ingestão humana de PFAS ou micro e nanoplásticos — uma comparação que frequentemente chama a atenção das pessoas.
"Portanto, ressaltamos a necessidade urgente de avaliar esses impactos na saúde", disse Rupert Holzinger, professor da Universidade de Utrecht e um dos autores do estudo. Segundo os pesquisadores, há também uma dimensão climática que ainda precisa ser explorada.
Os metilsiloxanos podem alterar as propriedades dos aerossóis, que desempenham um papel na formação de nuvens e no comportamento atmosférico; eles podem afetar a tensão superficial de maneiras que modificam o desenvolvimento das nuvens ou interferem na nucleação do gelo, uma etapa fundamental na formação da precipitação.
Contudo, nada disso foi ainda adequadamente quantificado, e os pesquisadores agora destacam a necessidade de atenção urgente, à medida que a extensão da poluição se torna mais evidente.
Referência da notícia
Widespread occurrence of large molecular methylsiloxanes in ambient aerosols. 16 de abril, 2026. Yao, et al.
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