Bromélias são peças-chave para a diversidade da Mata Atlântica, revela estudo
Pesquisa da Unicamp identifica interação inédita entre bromélias e outras plantas da Mata Atlântica, mostrando como essas epífitas enriquecem o solo e favorecem espécies com maior demanda nutricional.

As bromélias, plantas que compõem o cenário típico da Mata Atlântica ao se fixarem nos galhos mais altos das árvores, acabam de ganhar um novo destaque científico. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) revelou que essas epífitas desempenham um papel fundamental na manutenção da diversidade vegetal da floresta.
Embora sejam conhecidas principalmente por seu valor ornamental e ecológico, as bromélias ainda guardavam segredos sobre sua relação com o ambiente ao redor. Até recentemente, não estava claro se e como essas plantas influenciavam o solo e as espécies que crescem abaixo delas.
A resposta veio com a publicação de um artigo na revista científica Plant and Soil. Nele, os pesquisadores demonstram que as bromélias são capazes de nutrir o solo da Mata Atlântica, caracterizado por ser ácido e pobre em nutrientes, contribuindo diretamente para o desenvolvimento de outras plantas.
Um solo pobre que depende de estratégias naturais
Grande parte das espécies vegetais da Mata Atlântica está adaptada a sobreviver em condições de escassez nutricional. No entanto, algumas plantas possuem exigências maiores, como o jacarandá-branco, popularmente conhecido como caroba, que necessita de solos mais férteis para se desenvolver plenamente.

É nesse contexto que entram as chamadas bromélias-tanque. Essas plantas possuem uma estrutura formada pelas folhas, que cria um reservatório natural capaz de acumular água da chuva, além de restos de folhas, insetos e pequenos animais.
Com o tempo, esse material se decompõe, formando um líquido altamente nutritivo. Quando o reservatório transborda, essa água rica em nutrientes escorre pelos troncos das árvores e alcança o solo, criando verdadeiras “ilhas de fertilidade” na floresta.
Uma interação inédita entre plantas distantes
O estudo identificou que essas manchas de solo mais fértil favorecem o crescimento de plantas com maior demanda nutricional ao redor de árvores que abrigam bromélias. É o caso das carobas, que se desenvolvem melhor próximas a esses pontos enriquecidos.
Por esse motivo, os pesquisadores batizaram o fenômeno de “interação remota entre plantas”, um tipo de relação vegetal até então desconhecido pela ciência e que amplia a compreensão sobre a complexidade dos ecossistemas florestais.
Água mais nutritiva que a própria chuva
Outro dado relevante revelado pela pesquisa é a composição da água acumulada nas bromélias. Em comparação com a água da chuva, ela apresenta concentrações significativamente maiores de nutrientes essenciais, como nitrogênio, fósforo, cálcio, magnésio e enxofre.
Experimentos mostraram que carobas irrigadas com essa água apresentaram 35% mais potássio e 36% mais fósforo em seus tecidos, além de produzirem quase o dobro de folhas em relação às plantas que receberam apenas água da chuva.
Os resultados reforçam a importância das bromélias para a manutenção da biodiversidade da Mata Atlântica e indicam que a preservação dessas plantas é estratégica para a saúde e o equilíbrio desse bioma ameaçado.
Referências da notícia
Revista Superinteressante. Bromélias são peças-chave para a diversidade da Mata Atlântica, revela estudo. 2025